quinta-feira, 7 de março de 2013

Com garra e com fé… à luta e sempre a sorrir

“Sopa Azeda” era a alcunha bem colocada a uma catequista que existiu em tempos na minha terra, mulher de uma corrosiva acidez nas palavras e que por ambição de respeitabilidade, tinha há muito amputado o sorriso.

É assim, geralmente, no país do “muito riso, pouco siso”. Ser optimista é sinal de imaturidade e irresponsabilidade, e ser carrancudo e antipático, pessimista militante, é meio caminho percorrido para atingir a tão desejada e dita respeitabilidade.

Por dever de prudência, por imposição do pudor na auto-castração no reconhecimento do prazer, a perspectiva do “copo meio vazio” impera geralmente sobre a do “copo meio cheio”, que poderia ser aplicada a qualquer igual quantidade de líquido no dito recipiente.

É fado e marca de lusitanidade este receio crónico de que mesmo que estejamos bem e a desfrutar do paraíso, no instante a seguir poderemos morrer…

“Nunca diga que está bem!”.

Não falo aqui obviamente das pessoas, muitas nos tempos que correm, que não vislumbram qualquer motivo para o optimismo, falo daquelas que sem razão vestem essa terrível “burka” da fatalidade.

E no contexto da vivência da fé Católica?

Em tempo de quaresma, é fácil constatar como o roxo nos assenta melhor ao fácies do que qualquer outra cor litúrgica, e de como a escassez de flores nos altares e a ausência de “aleluias”, estão muito mais alinhadas com o nosso ar que cruza o “todos me devem e ninguém me paga” com o “oh para mim, tanto que eu sofro e choro pela humanidade”.

As homilias têm em geral epicentro naquilo que é negativo e que não deve ser feito, e muito raramente no que é positivo. As “descascas” suplantam quase sempre o elogio, jamais se assumindo que a partilha do que é positivo é uma forma mais eficaz de testemunho e de motivação.

E isso “pega-se”.

Se estiverem atentos a uma conversa de “beatas” reparem que se focam apenas no que está mal e que são incapazes de elogiar algo que seja exterior à dimensão da sua própria pessoa. Os outros até podem ser perfeitos mas espirraram uma vez algures no momento errado. Só conta o espirro.

Procura-se um padre para quê? Para contar uma vitória e um momento de prazer?

Não, as conversas centram-se no negativo, falam de “pecados” e desgraças. Em geral, o padre só é chamado para uma casa quando se vislumbra a morte…

Um sorriso e o optimismo seriam muito mais representativos da nossa herança, sendo como somos, testemunhas e “apóstolos” do Cristo que venceu a morte.

E este testemunho pela positiva não deverá ser dado apenas pela coerência que se nos exige e que nos deverá colocar alma e aparência, de felicidade e vida.

Tenhamos a noção de que as pessoas que vivem bem nos territórios do negativo, acomodam-se mais facilmente, resignando-se, ao péssimo que cada momento pode ser ou trazer.

“É a vida. Não há nada a fazer”.

“Já estava destinado para ser assim”.

A força e o espírito de luta nascem da exigência de querer ser maior, e da ambição de estar no espaço do que é positivo, daquilo que nos dá um assumido prazer; ao mesmo tempo que é fermento da felicidade e da arte de saber crescer.

E essa força, devemo-la a nós próprios e devemo-la também a todos aqueles que não se vestem de lágrimas postiças, aqueles que pelo contrário, têm-nas legitima e naturalmente no rosto.

E a nossa luta será a esperança de muita gente, a montante, no combate à ambidextra incompetência de quem nos tem liderado, e a jusante, em tantas organizações que dão pão a quem o não tem.

Contra a depressão e a crise, com garra e com fé, marchar, marchar…

Porque a quaresma, pela força da fé, desemboca sempre na ressurreição. E impõe-se-nos garra, alma, esperança e cara de "ressuscitados".

À luta… e sempre a sorrir.

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