sexta-feira, 22 de março de 2013

O regresso do Cancro em tempo de Enfarte do Miocárdio

Fiquei ontem a saber que a Rádio Televisão Portuguesa, estação prestadora do serviço público que é paga com o dinheiro dos meus impostos e dos meus concidadãos, irá em breve apresentar na sua programação um espaço de análise com o ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Soubemos desde sempre que Paris seria uma passagem com a duração dos inevitáveis dois anos de “quebra-memória”, e que o regresso à pátria seria o destino final do homem que nos governou durante 6 anos, o homem que criou as condições para termos de pedir um empréstimo externo e que negociou com a Troika o memorando em implementação.

Como é que o homem aguentaria um curso de filosofia numa universidade se ele até o Inglês do seu pseudo-curso de engenharia fez por correspondência a um domingo à tarde?

Sabíamos nós, e sabia ele também, que a governação com base no memorando nos traria a esta situação de desespero, facto que facilitaria o nosso rápido esquecimento sobre a sua pessoa e a sua actividade à frente do governo, nessa tão negativa confluência entre a ausência de carácter e a incompetência.

Só que a dor está a ser forte demais e a memória não se nos varreu. Pelo contrário, está cada vez mais marcada, e tivesse eu algum risco de uma súbita amnésia e ainda ontem o recibo de ordenado me indicou um desconto de 58% para pagar os impostos que ajudarão a suportar os juros da dívida do empréstimo solicitado e negociado pelo Sr. Sócrates.

Para além disso, o facto de Passos Coelho ser péssimo não conduzirá nunca a governação de Sócrates à categoria do estrelato.

Não é pelo facto de existirem Enfartes do Miocárdio que os Cancros deixam de ser maus…

E para Sócrates este parece ser o momento ideal, aquele em que o anunciado chumbo do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional faz tremer o governo.

Então, um dos amigos do costume faz o também costumeiro favor e aí está o homem em prime-time a comentar… qualquer coisa.

E é mau demais…

A uma televisão de serviço público exige-se respeito pela diversidade de opiniões mas também se exige rigor e pudor. As opiniões do homem que conduziu o país à bancarrota são neste contexto, perfeitamente dispensáveis e são ofensivas para a maioria dos Portugueses que por ele vivem dias difíceis. Por certo verá a realidade pelo prisma da sua incompetência e a expressão desse seu sentir não merece honras de constar em qualquer estação de televisão que seja paga pelos subsídios de férias ou natal dos funcionários públicos ou dos pensionistas. No Partido Socialista há uma infinidade de pessoas sérias, honestas e com dignidade na sua história, que poderão garantir o objectivo da pluralidade do Serviço Público.

Sócrates fá-lo a custo zero. É habitual. É ele que paga porque é ele que tem interesse num “duche audiovisual” que lhe limpe a imagem.

Também não foi o Figo que pagou o pequeno-almoço no Altis Belém…

Os rendimentos de Sócrates não advêm de coisas tão banais e normais como a prestação de um serviço de comentador. Isso seria demasiado previsível.

Pelas verbas que lhe possibilitam o fausto do seu estilo de vida, estaremos aqui a falar de um outro campeonato… e saberá o diabo de onde vem o dinheiro.

Dir-me-ão possivelmente que a RTP garante com Sócrates boas audiências e boas receitas de publicidade, também as garantiria se pusesse o Cristiano Ronaldo a despir-se integralmente a seguir ao Telejornal. E isso seria admissível?

Espanta-me ainda que a terreiro e em defesa de Sócrates tenham acorrido logo algumas pessoas. Enquanto olharmos para a política e para os partidos políticos da mesma forma que eu olho para o Benfica, jamais o rigor poderá imperar na gestão dos bens públicos e jamais haverá condições para condenar criminalmente quem faça mau uso desses bens.

Em Portugal, a politica e os votos lavam a justiça e o eficaz julgamento, e a filiação partidária esconde e branqueia a “filha da putice” (e desculpem a expressão mas é a única que me ocorre)!

Sócrates na RTP?

Talvez nos falte mais do que dinheiro para pagar as contas, falta-nos vergonha e bom senso.

1 comentário:

  1. Tens razão , mas há pessoas com que esquecem o passado rapidamente .
    RUI PEREIRA

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