terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O interminável desfile de um perpétuo Carnaval

O PSD concluiu que o governo PS de José Sócrates foi o responsável por uma gestão ruinosa do país numa perspectiva geral e muito em particular nos contratos SWAP.
O PS responde que não e que essa má gestão é da responsabilidade do PSD.
E assim, quais “Pombinhas da Catrina” de mão em mão, as culpas vão sobrevivendo com o alto patrocínio dos nossos ordenados e pensões, até ao momento em que sucumbirão pelo tempo ao ritmo das prescrições de uma sempre adiada justiça… e acabarão por morrer solteiras.
Somos nós que pagamos os adornos, as carroças, a banda de música, as atracções internacionais, os foguetes, as luzes… e o país é hoje um longo desfile de carnaval em que a mentira é aceite com toda a legitimidade como centro da festa, e os protagonistas são criaturas travestidas em que o melhor e o que recebe a coroa de Rei Mono é sempre aquele que maior eficácia consegue no disfarce.
Das bancadas onde pelo preço elevado do bilhete patrocinamos o show há quem inexplicavelmente ainda bata palmas e se alegre quando passa a “escola de samba” com os artistas da sua cor.
E enquanto tal acontecer o “carnaval” não vai acabar nunca.
Confesso que já não tenho força para bater palmas e tivesse à mão um cesto de ovos podres e por certo tentaria acertar na cabeça de todos, independentemente da cor.
Mas este exercício oficial da mentira não existe apenas a esta escala da “liderança” da nação, a um nível microscópico num universo mais em torno de nós, é ver como a hipocrisia e o vil cinismo são colocados ao serviço do mesmo de sempre, a vã cobiça do poder e do dinheiro.
Vale tudo e até tirar olhos pois a poeira atirada para os ditos no total desprezo pela inteligência dos outros, é uma inadmissível forma de cegueira.
A amizade e a facada nas costas convivem alegremente no baile da mentira e na dança pelos cadeirões do poder.
E enquanto for assim em ambas as escalas, pessoal e nacional, nem a comunidade nem a nação poderão alguma vez andar para a frente.
É que uma e outra existem apenas conceptualmente na república do faz de conta, a mesma do “cada um por si”. 

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