quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Um conto de Natal

Era uma vez um homem que não sabia o que era o Natal.
A sorte não tinha sido definitivamente sua mãe, e madrasta, há muito o deixara sozinho num monte de onde avistava a planície e a vila mas onde nunca ninguém chegava para conversar com ele.
Triste, habituara-se a viver assim no convívio com os seus próprios pensamentos, muito mais do que com as palavras, nada fazendo para mudar esta situação
E mais triste se sentia por alturas de Dezembro quando as luzes da vila duplicavam o seu brilho na noite. Afinal, ele não sabia o que era o Natal.
Enquanto dormia a sono solto numa noite de quase Natal, apareceu-lhe em sonhos um anjo que lhe disse:
- Vou ensinar-te o que é o Natal mas para isso tens de cumprir três missões. Aceitas?
E o homem triste conseguiu sorrir quando sem qualquer receio disse logo que sim.
Disse-lhe então o anjo:
- A primeira missão é muito simples. Amanhã é véspera de Natal e quando fores à vila para comprar o pão e os restantes alimentos, vais ter de fazer o caminho a assobiar e vais ter de responder com um sorriso e cumprimentar com um “bom dia” a todos os que te saudarem.
Pareceu-lhe fácil.
- Na segunda missão vais ter de apertar a mão no cumprimento e na despedida ao homem da mercearia.
Pareceu-lhe ainda mais fácil.
- E na terceira vais comprar uma caixa de chocolates que entregarás mais tarde ao vizinho do monte ao lado do teu dizendo-lhe que são para os seus filhos pequenos.
Também não lhe pareceu difícil.
- Aceitas?
E o homem disse logo que sim, e o anjo prometeu voltar no dia seguinte para lhe dizer finalmente o que era o Natal.
Quando se despertou no dia a seguir, o homem começou logo a ensaiar o assobio e foi vê-lo com afinco a cumprir todas as missões que o anjo lhe tinha pedido e ele de forma tão entusiasmada tinha aceitado.
Sentiu-se surpreendentemente bem nas suas tarefas e nesta onda de simpatia, sorrisos e música de assobio, até conseguiu fazer uma festa ao cão do vizinho que sempre tratava com antipatia sempre que ele se aproximava para o saudar algures no seu percurso de e para a vila.
Depois de ter chegado a casa, desejou ansiosamente que fosse noite para se deitar e para que o anjo pudesse finalmente voltar e dizer-lhe o que era o Natal.
Foi a correr para a cama e deixou-se adormecer embalado por essa esperança.
Mas nada.
Ao acordar pelo canto do galo que morava no galinheiro mais próximo, ficou triste quando se apercebeu que o anjo faltara ao prometido e não tinha vindo ter com ele.
E ele que tinha cumprido as suas missões com tanto afinco continuava sem saber o que era o Natal.
Nesta tristeza estava quando já pelo meio da manhã lhe bateram à porta do monte.
Foi abrir e reparou com os dois filhos do vizinho do monte ao lado que lhe sorriam e lhe ofereceram um prato enorme cheio de filhós das melhores e mais vistosas que ele alguma vez tinha visto.
Em nome dos pais convidaram-no para almoçar nesse dia em casa deles.
E o homem foi. E lá, ao redor da lareira onde as palavras substituíram e dominaram os seus pensamentos, aprendeu finalmente o que era o Natal.
Afinal de contas, os anjos nunca faltam ao prometido e chegam mais vezes batendo à porta do que pelos sonhos.
E o Natal…
É receber de volta o afecto que sabemos dar.

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