segunda-feira, 10 de agosto de 2015

INFINITO


No dia em que se propôs aprender a contar os números até ao último e lhe foi explicado que não o iria conseguir, o meu sobrinho João chorou no seu primeiro contacto com o infinito.
Passarão os dias e ele irá aprendendo, como eu ainda hoje, que o infinito não é mote para chorar no assumir do impossível, o infinito, o universo é afinal nosso cúmplice, tingindo-se de azul todas as manhãs para se alinhar com o céu que trazemos na alma; e apagando-se depois pela noite para que possamos sonhar e voar na companhia de todas as estrelas.
Sentimos todos os dias o abraço infinito do universo ao grão de areia que é cada um de nós no contexto da Terra e do tempo, sentimos o beijo do sol… e deixamo-nos ir pela poesia, essa arte destemida que busca “infinitos” e cala todos os impossíveis.
Porque se o universo é infinito, qual é a razão pela qual o nosso querer haveria de ter um fim?
Os Infantes nascerão sempre da glória de um querer bem maior do que o ruído “impossível” dos Adamastores nas tormentas dos cabos que teremos de cruzar.
E com a aparente contrariedade se tece uma corda ou se constrói uma vela para a nau com que navegamos…
Se a lua não estivesse assim tão suficientemente afastada de mim e com “olhos” para te ver, o que teria eu ao meu alcance para te mandar na distância, os mil beijos de amor que todas as noites o meu desejo desenha para ti?
Possivelmente nada.
E se o infinito não existisse, que medida poderíamos nós atribuir ao amor que chega de encontro ao sonho para nos moldar a vida?
O infinito é pois a inspiração e o universo para onde voamos, sabendo que poderemos nunca chegar ao último número, à última estrela, ao último instante… mas cada algarismo ou cada degrau mais à frente  deixar-nos-á sempre mais perto de nos sentirmos grandes.
  
(“Um mês A GOSTO” / Dia 10 / Tema proposto por Maria e Manuel Baptista)

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