quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A minha luta com o anti-ciclone

Escrevo de frente para um mar demasiado inquieto, o Atlântico à mercê de um vento fortíssimo que também parece querer entrar à força pela janela do meu quarto, uma brisa tão violenta, que entre gritos e sussurros, me faz acreditar que o Adamastor deixou o seu “Cabo” e veio para aqui espalhar as suas tão temidas “Tormentas”.
Aqui ao leme da nau deparo-me com uma série de consequências práticas: voo cancelado, mais uma noite em São Miguel, uma ida forçada à Loja Chinesa aqui do lado para comprar cuecas e meias (e a minha mãe que sempre me repete que não devemos trazer a roupa à conta dos dias porque pode acontecer algo…) e lá vou ter de fazer esse tão grande “sacrifício” de comer mais um Bife à Regional carregadinho de “Pimenta da Terra” e uma Morcela com Ananás, quando chegar a hora de ir jantar.
Fosse eu dado a superstições e facilmente diria que num dia treze e à beira de uma Sexta-feira, isto seria mais do que expectável.
Sofresse eu da mania da perseguição ou carregasse em mim uma tendência depressiva para achar que exerço uma atracção pela desgraça, e a coisa seria ainda mais complicada.
É que vou com os meus pais no último sábado ao Politeama para assistir à Revista à Portuguesa do La Feria e sou confrontado com a substituição de uma das actrizes principais por não se encontrar bem de saúde; vou no domingo até ao Estádio da Luz para ver o Benfica – Sporting e começa a cair lã de vidro sobre o relvado, caiem placas da cobertura e adiam o jogo; venho para os Açores e até anulo os efeitos do anti-ciclone com a meteorologia a desencadear um temporal medonho que adia todos os voos…
O Instituto Berlinense que baptiza e dá nome às tempestades ainda se pode lembrar de chamar “Joaquim” a alguma delas; identificado como uma espécie de “Midas das Desgraças” podem começar a impedir a minha entrada em qualquer recinto desportivo ou a bloquear o meu passaporte para alguns destinos mais pacíficos; quem sabe até, com tal anti-clímax à minha volta, se não boicotam a minha entrada no Santuário de Fátima em dia de Procissão das Velas, pelo risco elevado de as ditas se apagarem todas como reacção à minha presença?
Pois…
Mas não estou nada preocupado.
As senhoras da SATA já me deram um Cartão de Embarque para amanhã à tarde, apesar de eu lhes ter dito irritado que sou um bombista perigoso e suicida com a mania de pôr bombas em frascos de doce, quando me avisaram que não há problema com tudo o que comprei há pouco no Free Shop, excepção feita a dois frascos de compota de ananás que são potencialmente perigosos.
Por favor!
São bombas, mas calóricas, claro.
Mas, como sou mesmo um optimista e vejo sempre o lado positivo de todas as coisas: olha que grande oportunidade me deu este mau tempo para sentir as vossas preocupações e a vossa amizade em tantas chamadas e mensagens…
Tudo é sempre bem mais fácil na presença dos amigos e eu estou destinado a gostar muito de todos vós. Mesmo!
E depois, e como dizia o simpático taxista que me trouxe de volta ao hotel ainda há pouco:
- Bem-vindo aos Açores porque isto sim é viver nos Açores.
Pois que seja. Não será por isso que os Açores deixam de ser um dos sítios mais fantásticos de Portugal.

1 comentário:

  1. Uma descrição com conhecimento se distingue com classe ....gostei de ler e meditar nas suas palavras......boa tarde!....

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