domingo, 9 de fevereiro de 2014

As cúpulas das “Catedrais”

Traindo o seu sofá numa tarde de domingo, sai um homem de casa debaixo de um temporal imenso porque acredita na vitória do seu Glorioso, e em vez de uma chuva de golos (ou da tão previsível água) leva com uma dita de lã de vidro com aspecto peçonhento.
Eu bem sei que quem se mete com “Stephanie’s”, sejam elas tempestades ou princesas, tem sempre uma forte probabilidade de acabar em situações pouco recomendáveis… Mas, enfim…
Definitivamente este não foi um bom fim-de-semana para as cúpulas das “Catedrais”. Agora a cobertura da Luz, mas antes, as cúpulas das verdadeiras catedrais.
Há muito que admiro D. Manuel Clemente, o agora Patriarca de Lisboa, reconhecendo-lhe um toque de uma inteligente subtileza e modernidade no pensamento.
Mas ouvi-lo dizer numa entrevista que “a sociedade é também o conjunto de costumes, tradições, ideias força e valorizações genericamente assumidas”, afirmando simultaneamente que há legitimidade para um plebiscito sobre os direitos das minorias, tudo para justificar a colagem às posições mais conservadoras de uma certa Igreja instalada numa zona cinzenta de confortáveis banqueiros e pensadores da “Obra” que até andam a “cuspir” sobre os escritos do Papa Francisco; foi mau demais. Foi pior que lã de vidro sobre a Luz.
O meu Cristo lutou contra o poder e as tradições instituídas, lutou contra os vícios dos poderosos e não negociou com Pôncio Pilatos para fugir à morte na cruz.
Sem temer o Seu estatuto de minoritário, ensinou-nos a não tolerar o intolerável mesmo que este seja lei dos Homens.
Antes, João Baptista já tinha sido voz a bradar no deserto sem se render ao próprio deserto.
E depois, os seguidores de Cristo, as raízes da Igreja que somos, foram mártires sempre que a sua fé chocou com as “ideias força e valorizações genericamente assumidas” que estavam nos antípodas dessa mesma fé.
Um Cristão deve dizer “sim” ou “não” mas sem desculpas. Esta há muito designada “Diplomacia Vaticana” não é nada, e se fosse era uma estranha e inadmissível submissão ao poder.
Para além de que em questões sobre família, casais, fidelidade e orientações sexuais, manda a prudência que estas “Cúpulas” tenham algum cuidado para não entrar em territórios de uma estranha hipocrisia.
Entretanto venha a bonança…
E o bom senso que também dá sempre jeito em todos os “campeonatos”.

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