terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A voar ao sol para lá das nuvens

Eu sei que é difícil acreditar, mas garanto-vos que o sol ainda brilha radioso por cima destas nuvens que literalmente nos querem afogam.
Vejo-o e desfruto dele enquanto vos escrevo cá de cima cruzando os céus em direcção a Ponta Delgada depois de ter atravessado as ditas nuvens e me ter sentido como o sumo no interior de uma garrafa de Compal agitada pelas mãos de um empregado de café com muita pressa.
E que saudades eu já tinha deste sol cuja ausência me levou inclusive a agendar uma sessão terapêutica anti-depressiva de Bolas de Berlim na companhia da minha amiga Vanda... Antes tomarei o anti-diabético, não se preocupem.
Ainda há pouco a caminho do aeroporto fiz a segunda circular debaixo de uma chuva dissolvente (do que resta da minha paciência) que depois de todos os procedimentos de check-in, bagagem e segurança, me colocou no impulso de um café.
Até chegar a esse "sorvo negro e quente indutor de energia" tive ainda de percorrer toda a zona de lojas, e foi interessante perceber quais os condimentos que na opinião dos comerciantes poderão cimentar relações, casamentos, uniões de facto e afins; na comemoração do dia de São Valentim, na próxima Sexta-feira. Destaco as cuecas e os soutiens em tons de vermelho, ambos com incrustações de penas da mesma cor.
Uma mulher que vista semelhante lingerie até poderá ter sucesso, mas arrisca-se a uma decisiva e indesejada aproximação às galinhas; e apimentar algo com semelhantes artefactos, parece-me a mim que só pelo efeito de indução dos espirros que as ditas penas podem ter no nariz do(a) parceiro(a).
Finalmente chego ao balcão do Harrods e peço um café que me é servido por uma empregada Brasileira com nome inscrito na chapa que traz ao peito: "Greice Kelly" (e não me enganei a escrever o nome próprio).
Os deuses devem estar loucos ou então eu entrei numa Twilight Zone onde tudo tem nome de Grimaldi. A Stephanie quase me afoga na segunda-circular e agora a mãe serve-me a bica...
Nem o café me sabe bem servido assim ao jeito de bebida do Panteão dos Príncipes do Mónaco.
Fujo dali e vou para a FNAC.
Logo à entrada e em destaque o novo livro que coloca em papel uma conversa da Maria João Avillez com o Vítor Gaspar.
Mais panteão...
Detesto este interesse pela fase post mortem dos ministros e dos primeiros-ministros. Para além de que sou incapaz de pagar um cêntimo que seja para ler qualquer palavra que venha da boca do Vitor Gaspar.
Reconheço no entanto o mérito da autora por conseguir fazer um livro com tantas páginas depois de uma conversa com a criatura, o que por certo só terá alcançado depois de um treino intensivo de paciência a contar os grãos de areia num metro cúbico do areal de Carcavelos; e, estou certo, com a ajuda de um consumo exagerado de Red Bull.
Resolvo comprar uma revista, saio da FNAC e fico a aguardar o voo.
O resto já vocês sabem, estou por aqui ao sol a aguardar que me venham servir uma "refeição ligeira".
Garanto-vos no entanto que se a pessoa que me entregar o tabuleiro se chamar Alberto, Rainier ou Carolina, eu irei directamente consultar um padre ou um psicólogo, porque das duas uma: ou me portei muito mal ou tenho "penas de galinha" incrustadas na moleirinha.
É que não há quem aguente...
Bolas!
(Sim, é um facto, também poderei convocar a Vanda para uma sessão extra de Bolas de Berlim... com creme, claro).

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