quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O triste destino do fiambre numa sandes à mercê do fogo

É Terça-feira, 18 de Fevereiro do ano de 2014.
O dia revela o sol, e ao fim de muitas semanas, consigo fazer-me à estrada sem ser "fustigado" pela chuva ao jeito de um banho em cascata de generoso caudal.
De Lisboa a Coimbra, pela hora do almoço, a rádio conta-me a história de um país de sucesso onde a miséria morreu e é intensa a esperança nos melhores e mais fantásticos dias.
A fonte: Pedro Passos Coelho numa conferência internacional algures na zona de Lisboa.
O dia continua sem chuva e que bom passar as 18 horas ainda com sol, prova de que o tempo está a acelerar de encontro à primavera.
De Coimbra a Lisboa e ao cair da tarde, a rádio conta-me a história de um país triste, falido e a morrer afogado na miséria. Um país de mão estendida a pedir esmola e à mercê da generosidade do mundo.
A fonte: António José Seguro na mesma conferência internacional algures na zona da grande Lisboa.
Duas viagens, duas perspectivas e uma realidade, eu literalmente "entalado" entre as duas faces da mediocridade.
O português é hoje uma pobre fatia de fiambre esmagada entre a esquizofrénica e bipolar perspectiva de governo e oposição, ambos materializados por dois seres criados no laboratório da política, pecadores que em vão evocam o povo não fazendo a mínima ideia do que há de povo para lá dos votos que lhe permitirão concretizar ou não o seu único objectivo: o poder e a consequente sobrevivência.
O optimismo de Passos ofende o povo que sofre, e muito; e a catastrofista perspectiva de Seguro utilizada como jangada para passar incólume por entre o mar da co-responsabilidade, faz exactamente a mesma coisa, desvalorizando a inteligência e a memória do país; quando afinal, o povo, o chamado país real, está algures entre um e outro, a sofrer, a agonizar numa zona em que por ausência do mínimo de bom senso, de inteligência e de boa vontade; eles nunca conseguirão descortinar.
Uma zona triste da qual nenhum deles por incompetência nos poderá resgatar.
Uma zona de muita dor que não aparece nas colunas e nas linhas das folhas de Excel usadas para justificar despudoradamente aquilo que vai de encontro aos seus interesses.
Para acontecer algo...
Seria preciso que os papagaios pudessem um dia ocupar o trono da selva, e não me parece provável.
Ou então que alguém apareça e mande tocar a campainha para o fim do recreio dos "meninos" e os faça desaparecer daqui a "Passos Seguros".
E não é só pelas guerras de meninos armados com a “fisga do discurso”...
Entre Lisboa e Coimbra, e depois no regresso, vou contabilizando hora a hora o número de mortos numa praça de Kiev.
A Ucrânia é já ali, não tão geograficamente próxima quanto a Suíça que hostiliza imigrantes ou a França de Le Pen, mas mesmo assim demasiado próxima, porque por detrás das explosões se ressuscitam velhas guerras económicas e políticas entre leste e o oeste de que, para o bem e para o mal, fazemos parte.
E nós por cá a brincarmos às “fisgas” e vulneráveis ao fogo que não é coisa definitivamente recomendável para “miúdos”.
Nós por cá, “esmagados” como o fiambre entre a mediocridade e à mercê de um fogo que bem nos poderá esturricar.
Quem é que disse que as guerras mundiais são ocorrências arquivadas na história do Século XX? 

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