sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

As lusas dores no “país das maravilhas”

Um colega Indiano que nasceu e vive no Reino Unido com a sua família, pediu-me hoje informações sobre as celebrações do treze de Outubro em Fátima, local onde pretende estar juntamente com os seus pais na concretização de uma vontade de há muito.
As suas raízes Católicas, que cruzam o Hinduísmo e a Igreja Anglicana de Sua Majestade, derivam de uma avó nascida em Malaca e que tal como nós falava a língua de Camões.
Numa breve conversa trivial de não mais de cinco minutos, o gosto intenso e único da diversidade e da liberdade, detalhes de um sonho chamado Europa e que tantas vezes parece destinado à marcha atrás.
Uma nação, da mesma forma que um espaço de nações, é definida pelas pessoas, muito mais do que qualquer particularidade geográfica, índice económico ou outro. E são as pessoas e a fidelidade à sua essência num espaço conjunto de desenvolvimento e de respeito, o expoente máximo da liberdade.
Não tardou o gosto amargo da mais triste realidade…
Há pouco li num jornal as declarações de um líder parlamentar da maioria: “A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”.
Pergunto-lhe eu:
- O que há de Portugal para lá dos Portugueses?
Sinceramente acho que não há nada.
Somos nós a essência do país, é por nós que zela a Constituição da República e é pela “vida das pessoas” que qualquer deputado eleito deveria zelar; muito mais do que qualquer outro interesse.
A afirmação é pois imbecil e encerra em si mesma um “atestado de incompetência”. Se o homem pensa assim, não tem condições para representar o “povo”.  
Um dia, quando Camões quis elevar ao Olimpo a glória da nação lusa, cantou “Os Lusíadas” e fez a obra maior da nossa História.
Fernando Pessoa na “Mensagem” fala das “lágrimas de Portugal” e de “um povo que quer o mar que é teu”.
Sempre, os Portugueses.
Mas destas coisas, esta gente sabe mesmo muito pouco. Uma tão triste gente que até será capaz de confundir a Estrada da Beira com qualquer beira da estrada.
O pior é que indiferentes às nossas dores, pela sua mediocridade nos vão matando o pão e esmagando a liberdade, que nos vão matando aos poucos, desprezando e matando Portugal.
E a Europa que cada vez se parece mais a uma ilusão.

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