sábado, 13 de agosto de 2016

Ofereço à mão o gesto redondo de uma nova caligrafia...


Ofereço à mão o gesto redondo de uma nova caligrafia como quem polvilha de açúcar todas as coisas que ousamos dizer.
Foi o vento que sob o céu azul de verão desenhou o cavalo de nuvens que me levou a galope até ao sopé da montanha onde repousas à minha espera.
Enleámos o desejo, demos às mãos um sentido de carícias e deixámo-nos estar naquele abraço que nunca tem tempo de acabar.
A sombra da enorme bétula escondeu por momentos o cavalo que segue feliz a brincar por agora com uma bola gigante que o vento lhe ofereceu.
Terei de dizer-lhe que não quero voltar ao silêncio.
E as palavras que segredamos um ao outro no exíguo espaço do abraço são um mapa, as coordenadas das nossas vontades, confidências expressas em letras que vou desenhando lentamente dando-lhes na forma a coerência doce da essência... com a minha melhor caligrafia.

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