quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Um pão que só o céu sabe amassar…



Como é possível acreditar que o campo se apaga, se rende inevitavelmente à solidão na praia vazia e aos pés do mar?
Não serão as ondas a festa de um abraço eterno que o querer não desafina nunca?
As praias eternas, cais moldados pelas milionésimas partículas de um tempo artífice, casas de água que oferecem generosos recantos à alma dos poetas, grutas profundas onde os sentidos se desatam e desatam todos os nós, até mesmo aqueles que escondem as palavras certas.
Comparadas com a alma e o pensamento, as gaivotas são na praia quem menos consegue voar.
E as ondas da praia são como as tardes improváveis onde o trigo e o sal se abraçam num pão que só o céu sabe amassar.

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