segunda-feira, 13 de maio de 2013

Fátima


Há alguns anos numa viagem de táxi entre o aeroporto de Newark e Manhattan fui conduzido por um motorista Americano, muçulmano xiita confesso, que quando a determinada altura da nossa conversa se apercebeu que eu era Português me referiu que Nossa Senhora de Fátima era um apropriação indevida dos católicos perante as manifestações de Fátima, a filha do Profeta Maomé, a quem a sua religião atribui o título de al-Zahra (a Resplandecente), um reconhecido modelo de virtudes para a mulher muçulmana.
Com a mesma convicção que ele usou na sua afirmação, respondi-lhe dizendo que eu era católico e que não só mas muito por esse facto, acreditava que a “Resplandecente” Senhora do Rosário de Fátima era Maria, Nossa Senhora, mãe de Jesus, um modelo de mulher e mãe.
Sorrimos um para o outro e seguimos a conversa por outros assuntos que já não sei precisar. Afinal de contas, a fé não se discute, e o que nos unia aos dois, o essencial, a fé em Deus, era bem maior e mais importante do que tudo o mais de divergência induzida pela cultura e pela religião, uma diferença que nos poria num absurdo confronto pois jamais se abriria a hipótese de uma conclusão aceite por ambas as partes.
Num táxi algures nos caminhos de Nova Iorque e a uma escala demasiado microscópica para as dimensões da Terra, dois desconhecidos constroem um “modelo” com base no respeito e no enfoque especial e prioritário no essencial que une, o antídoto para que a guerra jamais possa ter o sobrenome de “santa”.
E Fátima como argumento e inspiração para uma atitude de paz.
Em trânsito para o Porto na A1, a data de 13 de Maio convidou-me hoje especialmente a uma paragem em Fátima.
A missa no recinto há muito terminara mas há milhares de pessoas que circulam cumprindo o roteiro ditado pela sua fé, milhares que não conseguem “matar” o silêncio que se respira e que se associa aos olhares na tradução do misticismo, da “magia” de Fátima.
A inconfundível paz de Fátima.
Eu sou apenas um entre milhares mas estranhamente sinto o conforto de quem está em casa.
A fé a fazer confluir as vidas de tantos anónimos para o conforto de um espaço espiritual comum. Ao redor da Capelinha somos muitos e todos diferentes mas sabemos que o acariciar das contas do terço a todos nos põe na voz e na alma as mesmas palavras: Ave Maria. 
Fátima, paz traduzida no real “encontro” de todos os Homens, a morte das diferenças que separam.
Corre um leve brisa fresca de fim de tarde quando saio do recinto não sem antes me recordar do meu “amigo” taxista de Nova Iorque.
Peço a Maria, Senhora de Fátima e da minha fé, por ele, e peço paz para todos os Homens.
Uma paz assim na tolerância e universalidade.
A paz de Fátima.

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