quinta-feira, 20 de junho de 2013

Gaivota

A neblina envolve cerrada, o casario da cidade, estranho amanhecer de uma intermitente primavera que pelo calendário se despede e inevitavelmente se rende ao verão.
Busco em redor, mas nem a minha ocasional e muito alta janela de hoje, me traz o Atlântico, a Foz, aquele ponto onde o Douro, encaminhado pelos Rabelos que estancaram e se renderam à Ribeira, prova o mágico e inédito sabor de ser oceano.
Há manhãs e dias assim…
Mas jamais a neblina, manto ocasional e indomável motor de saudade, nos faz descrer que além, longe ou perto, no horizonte, há o doce azul da eterna grandeza do mar.
Dita o coração as certezas que suplantam saudades e neblinas, e do coração se nos faz a fé de manter rota, e se nos nasce a garra de nunca deixar de perseguir horizontes.
Cerro os olhos e saboreio o mar nessa memória que se me não apaga nunca, mas rápido os reabro ao impacto do som de uma gaivota que chegou ao parapeito.
Traz-me o céu, e traz-me mais do que tudo, a certeza do mar, este voo de uma perdida gaivota que se encontra na manhã frente-a-frente com o meu olhar.
Não controlo o sorriso e mais do que nunca… sinto-te, mar da terra que faz a neve, terra das fontes que não têm fim.

2 comentários:

  1. Outra beleza escrita pelo nosso grande escrito.
    Assim nos enche o corpo e alma de belos momentos de leitura e sonhos.
    Abraço. AR

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  2. Ja a nossa grande diva do fado (Dª Amália ) cantava
    Se uma gaivota viesse
    Trazer-me o céu de Lisboa
    No desenho que fizesse,
    Nesse céu onde o olhar
    É uma asa que não voa,
    Esmorece e cai no mar
    .
    parabéns pelas belas palavras
    RUI PEREIRA

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