sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ainda se escrevem cartas de amor…

Meu amor,

Num destes dias redesenharemos a lua no exíguo espaço de um abraço, e seguiremos pela noite na rota do seu brilho mais intenso, até aquele instante onde já não entram as palavras, e onde só os olhares conseguem ser fiéis e oferecer verdade a tamanho amor.
Aí, entregues os lábios a um longo beijo, e libertas as mãos do férreo peso das Histórias, entrelaçaremos mutuamente os nossos dedos, ao jeito da alma; marcando o ponto zero de um tempo que será o da nossa própria e única História.
Eterno: contigo, será o tempo cravejado de poesia.
E chegados assim juntos às manhãs de todos os dias, por entre o aroma do café e o conforto de um pão quente com cheiro a lenha de Alentejo, os dois olhando o mar para lá da vidraça que empalidece com o nosso respirar apaixonado; nós galgaremos horizontes como pássaros livres voando por sobre a racional escravidão dos limites.
Eu, tu e esse teu olhar irmão do céu que sabe incendiar-me a face do prazer dos mais rubros e intensos sorrisos.
Reencontro-me, no destino e na vontade, na esperança e na vida, quando te olho nos olhos… e tudo faz muito mais sentido.
Reencontro-me… às vezes tão-só numa memória e na saudade.
Meu amor, eu juro-te que num destes dias redesenharemos a lua…
Apenas porque necessitamos dela para nos alumiar nas noites do nosso caminho.
Afinal, a lua é tão-só um brevíssimo detalhe para alguém que como eu, amando-te assim, já é dono do universo inteiro.
Um beijo e esse amor infinito.
Teu,
Francisco

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