terça-feira, 3 de junho de 2014

O meu reino

No cumprimento do meu vício diário de consultar as capas dos jornais e das revistas na “Banca do Sapo”, apercebo-me que para lá da eterna novela “O povo que se lixe que o que a gente quer é tacho”, em que ninguém parece “Seguro” e todos parecem querer ver-se pelas “Costas”; e para lá da série “Arreda a Constituição” que a gente quer escancarar as “Portas” para irmos a “Passos de Coelho” até à suprema austeridade; as apresentadoras de televisão só têm duas actividades possíveis, e de que quando não estão perante as câmaras a apelar ao “consumo” dos intermináveis números oitocentos e qualquer coisa, para ganhar dez, vinte ou mais mil Euros, estão a namorar ou à caça de marido.
Trocam de maridos de uma forma mais rápida que as mulheres do Minho quando dançam o vira.
Não entendo esta obsessão até ao momento que me apercebo que em Espanha, uma antiga colega destas ditas já se prepara por ser rainha num processo de ascensão real pela via genital, a mesma que transforma andebolistas em Duques. Fica tudo explicado nesta caça aos reis muito ao estilo da caça aos elefantes… brancos, claro. Que quem conheça a noite de Lisboa bem me entenderá.
E lá vem então a realeza e a história de uma transição que é difícil de entender para um republicano como eu que só admite a monarquia no perímetro das feiras, sendo como sou um fã do Rei das Farturas e da Rainha dos Frangos e do Choco Frito.
Até tenho uma admiração pelo Rei Juan Carlos e pela sua postura na defesa da liberdade aquando do golpe de Tejero Molina em 23 de Fevereiro de 1981, mas tudo o mais me parece demasiado surreal.
E pelo meu republicanismo vou pelos jornais e pelas revistas até chegar a uma selfie dos jogadores da Selecção Nacional de Futebol com o Presidente Cavaco Silva, e a uma declaração da Primeira-Dama: “Sinto-me uma Embaixadora da Língua Portuguesa”.
Só pode ser da língua estufada e acompanhada de puré de batata com bom travo a noz-moscada...
Com “presidentes” e “presidentas” assim até eu já nem sei o que é pior.
Não aguento mais após este pontapé nas minhas convicções republicanas e resolvo arrumar o i-pad e levantar-me para tomar um duche e esquecer as notícias.
Reparo então que no silêncio da noite alguém me colocou por debaixo da porta da rua, um convite impresso a convidar-me para um congresso de três dias no Estádio do Restelo onde será revelado “Quem será o novo governante da Terra”. Com o patrocínio das Testemunhas de Jeová.
Diz também o panfleto que “O Reino está próximo”.
Se eu fosse uma apresentadora de televisão era até capaz de exultar com esta notícia que bem poderia ter sido escrita pela Princesa Letícia, mas como não sou, fujo acelerado para debaixo do chuveiro e não perco tempo em despachar-me para ir governar a vida.
Bolas…
Se não for eu a tratar de mim, quem o fará no meio deste desgoverno indutor de depressões graves e crónicas?

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