quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O amor é este instante…


Lisboa é um detalhe sublime, e a luz que se apaga ao ritmo lento do anoitecer vê-me vaguear pelas palavras na doce impotência de contar ao mundo o sentir que nasce do toque da tua pele na minha.
O divino não se escreve.
O amor jamais se vergará à linguagem banal com que os Homens fazem listas de supermercado.
Eu sigo a olhar para ti…
O miradouro, o verão que irrompeu rebelde pelo Outono, uma tília centenária, a mesa, os dois copos de Ginger Ale, a lua… e o meu braço colado ao teu no beijo que bebe das mil vidas que guardas no teu ser.
Há aromas de paraíso, o toque grená das romãs maduras… e este instante é o amor que a tudo oferece um sentido novo; o passado foi a estrada tantas vezes indecifrável para chegar aqui, e o futuro, nada mais poderá ser para lá deste querer multiplicado pelos dias todos que me restam.  
Mais tarde desceremos a calçada buscando o rio, passo com passo, pele com pele… e um abraço longo com a cumplicidade do som das ondas da água, vénias do Tejo à realeza azul da cidade.
Um abraço, pele com pele…
E o amor é este instante que não se escreve, mas onde o corpo todo estremece num doce arrepio intenso que queremos estender pela eternidade.

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