quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Os anjos nunca têm asas


Os anjos nunca têm asas, por vezes nem sequer falam; são tão-só olhares, que chegam e nos preenchem os momentos de uma inédita paz que se estranha, e que depois, de tão intensa, se entranha em nós oferecendo-nos o universo inteiro com tanto de desconhecido.
Os anjos são imprevisíveis e chegam sem avisar naqueles instantes tantas vezes banais e que quase sempre nos oferecem uma expectativa positiva de grau zero ou muito pouco.
Os anjos são por vezes muito tímidos e discretos, e refugiam-se atrás de um poente, de uma canção, do perfume de uma manhã passada junto ao mar, de um chão de árvores de Outono, de um gesto ou até de um poema.
Os anjos podem ser identificados pelo toque da nossa pele na deles, pelos lábios no sabor doce de um beijo, e também pelo calor intenso com que nos abraçam.
Os anjos podem às vezes esconder-se em nós, ficando disponíveis para nos acompanharem nos instantes de aparente solidão, espreitando generosos de todos os cantos da memória. E assim caminham connosco e jantam sentados à nossa mesa, iluminando-nos as noites frias de um Outono com chuva.
Os anjos não tocam trombetas no alto dos céus, confidenciam-nos segredos e fazem-nos revelações, quase sempre com vista para o melhor de nós, que até apostávamos nem sequer existir.
Os anjos…
Os anjos somos todos nós chegados ao instante e a quem definiu o sonho e a vontade.
E o meu anjo és tu… e chegaste numa tarde fria e num abraço com janelas para o infinito.

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