sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Nunca mais é verão…


Atravessar a ponte 25 de Abril em direcção a Lisboa num fim de tarde ao redor do São Martinho não conseguindo ver um palmo à frente do nariz, debaixo de uma chuva torrencial e sob um vento aterrador que nos abana a nós, ao veículo e à própria ponte; faz-nos desde logo pensar que é infundada a expectativa de um verão patrocinado por uma qualquer santidade, e os tempos são definitivamente outros e capazes de desmentir o “Borda d´Água”, que até é distribuído pela minha editora…
Desde logo porque os heróis já não são os generosos que rasgam as capas para as poderem partilhar com os mendigos; muito antes pelo contrário, são “santos” elevados aos altares pelo mediatismo e pelo marketing político, social ou outro, que sacam os “K’s” ou até os milhões de Euros em seu proveito fazendo com que floresçam mendigos.
E o Homem, cuja definição foi afinada para “ser vivo que respira e que vive rodeado por bancos”, deixou de ter a felicidade como objectivo último, para passar a ter esse grande sonho de conseguir “viver” tendo outras companhias que não só o “banco do jardim” e o “banco alimentar”.
Sob tamanha falta de generosidade, já não há motivos para que as nuvens desanuviem e brilhe o sol de um verão, mesmo que fugaz.
Sigo… mesmo que a abanar.
O rádio ligado e com o som em competição clara com o ruido da chuva e do vento, debita os últimos desenvolvimentos do escândalo de corrupção dos “vistos gold”, da privatização da TAP e da situação da PT; e fico com a sensação de que a desonestidade dos liberais é o mais eficaz fertilizante para que floresçam “comunistas”; até porque quase que nos apetece que construam um muro entre nós e essas imbecis criaturas criadas nos laboratórios da política.
E para além da saudade do verão de São Martinho, isto quase que faz ter saudades de um “verão quente”.
Depois chego a casa e dedico algum tempo aos programas dos canais de notícias que são hoje uma espécie de “jogo da honestidade” com bola cá e bola lá num campeonato em que os pontos são dados por conexões e nomeações partidárias.
Por mim ficam empatados porque ninguém se conseguiu destacar… pela positiva.
Desligo a televisão e vou escrever. Sou definitivamente um eleitor órfão à procura do sol por entre um denso nevoeiro que também não traz um “D. Sebastião”.
A chuva e o vento vieram comigo e batem forte na vidraça.
Apetecia-me ir ver o mar.
Mas porque é que nunca mais é verão? 

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