domingo, 2 de novembro de 2014

Tu teces as manhãs em que me apetece cantar


Espreito o Rupert Everett a desafiar a Julia Roberts para dançar ao som the “I say a litle prayer for you”, numa batida que reinventa a famosa canção da Dionne Warwick, e naturalmente alinho a minha voz com o som que se solta do i-Pad.
Há manhãs assim, em cujo despertar parece insistir em querer prolongar os sonhos da noite, inundando-nos dos melhores pensamentos naquele instante em que abrimos os olhos e nos espreguiçamos alarvemente em todo o esplendor dos lençóis brancos que ainda cheiram ao aroma campestre do detergente.
E às vezes acabamos por saltar da cama a cantar.
Acho que dormi toda a noite entrelaçado nos teus beijos, senti o tom quente dos teus braços nos meus, e dormi embalado pelas tantas palavras que se soltaram de nós naqueles instantes em que a lua chegou para nos alumiar na generosidade e na ousadia de substituir o sol.
Guardei detalhes, sorrisos, respirares, desabafos, segredos, revelações… e o teu olhar foi hoje o primeiro pensamento por entre a consciência de acordar e sentir o dia.
Fui todo eu quem soltou o teu nome entre o mais doce espreguiçar.
E depois, o café, o Bolo Lêvedo torrado, a compota… e a Dionne Warwick a puxar-me para cantar.
Há manhãs assim…
E eu já não consigo imaginar uma manhã em que tu não sejas o primeiro pensamento do meu despertar.  

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