quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Há manhãs às quais pedimos silêncio para podermos usufruir do eco das noites


Caminho rumo ao sul por entre sombras, e a pouco e pouco, e coberto pelas nuvens, o sol vai despertando as cegonhas que há muito têm casa no cimo das ruinas de um velho moinho que fica mesmo ao lado da auto-estrada.
As árvores emergem da penumbra, e só os choupos e uns raros plátanos insistem em falar de Outono por entre a constância verde dos sobreiros e também das muito mediterrânicas oliveiras alinhadas nos seus corredores traçados a régua e esquadro.
Do café onde paro para descansar um pouco tenho vista para uma festa de ruborizados medronhos e para o desenhado voo de uns muito animados tordos que os namoram.
O castelo de Evoramonte está envolto pelas nuvens e adensa mistérios nas convenções que não rejeitamos nunca fazer com o além.
E eu sigo sozinho e na aparência de não viajar por entre palavras, muito ao jeito de quem segue pé ante pé, por não querer despertar o dia.
Há manhãs como esta, manhãs às quais pedimos silêncio para podermos usufruir do eco das noites.
Eu penso em ti e o meu silêncio é afinal um mar privado, secreto e eterno das palavras que de noite bebi de ti e do teu olhar.
Prometo, e faço-o por mim:
- Jamais te deixarei morrer nas palavras e no tudo que me dás.

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