sábado, 29 de novembro de 2014

E eu sou eu no melhor que tenho em mim tão só porque tu me sonhaste e fizeste assim


Seguimos os dois pela estrada ladeada pelos tons do Alentejo, e sou eu quem conduz numa brevíssima excepção, um mero hiato no tempo todo que tem a tua marca e o teu olhar.
O caminho… todo o meu caminho foi desenhado por ti em coordenadas tecidas pelos sonhos, semeadas por beijos e alimentadas pela bênção de um despreendimento absoluto de ti; detalhes de um amor como nenhum outro e com marca de infinito.
E eu sou eu no melhor que tenho em mim tão só porque tu me sonhaste e fizeste assim.
Seguimos…
E como sempre fazemos quando estamos juntos, conversamos muito; de nós, daquilo que nos move, daquilo em que acreditamos, das nossas coisas, das cumplicidades, falamos do presente, do futuro…  
Entre nós há um desmesurado tráfico de amor, em tudo e também nas palavras, e eu não resisto nunca de fazer-te rir.
Porque gosto de te ver sorrir por entre o orgulho e o amor com que sempre me olhas nos momentos que tu tornas especiais, aqueles em que definitivamente mais gosto de mim.
Às vezes os dias amanhecem assim turvos como agora, e é necessário ir ao fundo de nós buscar todas as reservas de fé que nos impedem de pronunciar a palavra “desistir”.
Aprendi a fazê-lo contigo tomando fôlego e arte para voar por cima de todas as nuvens que ameacem chuva no horizonte.
Sem deixar nunca de ser eu na minha verdade, e sem ferir a liberdade de quem está perto.
As lágrimas, sabemo-lo bem, são tecidas do sal que pode secar as plantas mas que também pode dar sabor ao que nos alimenta e fortalece.
Continuamos…
Quase a chegar ao Redondo há à direita de quem vem de Vila Viçosa, uma pequeníssima albufeira que o Outono encheu de água; converso contigo e vejo reflectida a paisagem de sobreiros e uma casa pequena caiada de branco e enfeitada de traços azuis.
Eu acho que serei sempre um reflexo de ti.
Desvio por momentos o olhar da estrada para te ver. Quem dera que o meu olhar e as minhas palavras pudessem dizer o quanto te amo.
Acho que não conseguem.
Parabéns, mãe.
E continuamos juntos a nossa viagem…      

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