sábado, 1 de novembro de 2014

Bruxas e autoproclamados santinhos


Detesto bruxas, e o inevitável convívio diário que a vida me impõe que tenha com elas, leva-me a quem nem morto as celebre em qualquer noite especial dedicada ao efeito.
Sim, porque as bruxas andam por aí em todo o lado, sem nome, filiação ou género específico, a voarem sem vassouras por sobre a inteligência humana; sem nunca sequer conseguirem pousar para lhes tomar um arzito que seja.
Se o diabo veste Prada, as bruxas vestem qualquer marca, e até pode ser a Zara, porque acham que tudo lhes assenta bem aos corpos espremidos em horas de ginásio e toma de diuréticos que as tornam escravas dos mictórios da humanidade.
Acham-se lindas, quando algumas são mais feias do que bater na mãe; e não fosse o gloss que aplicam nos lábios mais ou menos retocados com bótox, e também nenhum brilho seria emitido pelas suas bocas, já que as palavras, por muito que se esforcem, são mais baças que as entrevistas da Teresa Guilherme no confessionário da Casa dos Segredos.
Porque mesmo vestidas de Vogue, as bruxas não conseguem travar os arrotos da natureza que abunda em si: o correio dos leitores da revista Maria.
Por isso, o mais longe que seria capaz de ir numa noite de 31 de Outubro, era partir-lhes uma abóbora nas suas cabeças de pedra onde têm os olhos incrustados, aproveitando depois o recheio das ditas (abóboras) para sopa ou compota.
No lado oposto, confesso, também não acho muita graças a santos, sobretudo aqueles que se “auto canonizam” a um ritmo quase tão acelerado quanto o que o Vaticano utiliza para colocar os seus Papas nos altares.
Essas criaturas que têm uma tendência natural para conjugarem virtudes na primeira pessoa do singular, mas de uma forma tão marcada e tão destorcida da realidade que ganham automaticamente o sufixo “inhos”; acabam por ser santinhos mas totalmente alinhados com o pior que descrevi das bruxas voadoras.
Os extremos tocam-se nos pontos reconhecidos como os piores da vaidade humana.
E aqui, é como se a frequência das sacristias e o convívio com o cheiro a mofo de qualquer arcaz bastassem para nos fazer bons, e funcionasse como um caldeirão onde borbulha essa poção magnifica feita de infinitos méritos e virtudes; e os santinhos enfiam-se todos como piolhos na celebração do dia de hoje.
Assim, entre as noites e os dias que a vida me disponibiliza, o que gosto mesmo é de esquecer bruxas e santinhos, e celebrar com os amigos, muitos e bons, amigos colegas de trabalho, amigos amigos, amigos família, etc.; aproveitando todas as horas para estar bem e construir um pouco de céu, aqui na Terra, porque o outro a seu tempo chegará e por certo sem ser por autoproclamarão da minha parte ou por decreto assinado por Homens, por muito importantes que eles sejam.
Por estes dias de Outono, venham então os amigos, os abraços, as gargalhadas, as castanhas assadas e as Bolas de Berlim…
E o céu assim me acontece porque quem tem fé não pode gostar de bruxas e santinhos.

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