sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O amor com a cumplicidade de uma velha giesta


Da janela do quarto a que chamo nosso pela intensidade com que te desejo, vejo ao longe um olival que se estende alinhado pelo monte; e lá no cimo e junto a uma velha ermida, o sol ao romper faz brilhar o ouro intenso de uma coroa de giestas.
Atravessarei este Inverno esperando uma manhã de primavera…
Os dois abraçados um ao outro e com a minha pele a saborear todos os detalhes da tua, nós seremos por entre o aroma de flor que a Páscoa sempre semeia nas laranjeiras, amantes rompendo madrugadas embalados pela herança de um amor perfeito inventado e vivido à luz da lua.
Talvez então entre um beijo e outro, eu te cante uma moda como se usa fazer no Alentejo. Baixo… muito baixinho, que nós já acordámos mas o sonho que trazemos não queremos que se desperte nunca.
E a canção que poderá até contar a história de um passarinho, falará por certo de amor.
Numa manhã como esta...
O quarto não resiste e far-se-á definitivamente nosso, trocaremos palavras, música do Cante do sul, e claro, mil beijos de amor.
E lá ao longe, depois de um corredor de oliveiras e cúmplice no cimo do monte, pisca-nos os olhos, mas em tom de ouro, uma velha giesta.

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