quarta-feira, 3 de julho de 2013

A interminável saga dos Sempre-em-pé

O imponente Mosteiro de Alcobaça não é definitivamente o melhor local para celebrar os amores e perpetuar os votos de matrimónio dos Pedros de Portugal.
Desde logo estão ali sepultados D. Pedro e D. Inês de Castro, a rainha que o foi depois de ter sido morta com o patrocínio de D. Afonso IV dando origem ao mais trágico dos amores registados na também muito trágica História de Portugal.
Mais recentemente foi ali que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas celebraram o último dos Conselhos de Ministros informais, aquele que terá contribuído para o divórcio consumado ontem e que colocou fim a um atribulado matrimónio de apenas dois anos.
Não gosto de Pedro Passos Coelho e não gosto especialmente de Paulo Portas.
Juntos, casados, até diria que só se estragava uma casa, mas o pior é que juntos estragaram todas as nossas casas.
Oriundos das juventudes partidárias, muito dados aos esquemas mais do que aos estudos e à palavra mais do que à acção, estas duas criaturas têm como prioridade a gestão das suas carreiras e o perpetuar do seu sucesso político, nem que isso seja construído sobre as cinzas do povo esmagado pela força da austeridade que a incompetência deles e dos seus antecessores foi agudizando.
Em nome de uma estabilidade bacoca, obrigaram-nos juntos a pagar um bilhete muito caro e ao preço da vida, apregoando uma travessia de um mar revolto, e chegados aqui, não sabendo manobrar o navio, não foram eles que o abandonaram, mas foram eles que abriram as portas para nos “descarregar” em alto mar e sem o recurso das balsas nos podermos afundar mais depressa.
Eles continuarão ao leme do dito a fazerem o que afinal só sabem fazer. Irão em breve ancorar o navio na campanha eleitoral mais próxima, e de cartazes, comícios e palavras de ordem, comporão o canto da sereia que puxará mais uns quantos para bordo.
Depois do que fizeram ao povo nos últimos dois anos e depois do espectáculo degradante dos dois últimos dias, se fossem sérios desapareceriam eclipsando-se das nossas vistas.
Mas não. Continuarão a esgrimir argumentos na praça pública numa zanga ao estilo de comadres ou de “bichas” à porta do Trumps enquanto o desemprego vai subindo ao ritmo dos juros da dívida Portuguesa e o Seguro afina o discurso para depois das eleições nos vir pedir mais austeridade por conta da responsabilidade que em Portugal morre sempre solteira.
E o povo, estranhamente, há muito assimilou esta estúpida ideia de que o melhor político é aquele que mente melhor e mais facilmente leva ao engano, num estranho convívio pacífico com a mediocridade.
Entretanto, a mãezinha Portas estará já a preparar uma ida à televisão para apregoar algum livro que ensine a fazer ovos mexidos com farinheira e de passagem comover-se perante a elevada honestidade do seu filho, ele, o sem escrúpulos, aquele que pela facilidade com que muda de “cama” só pode ser rotulado de algo que tenha a ver com vida fácil e a mais velha profissão do mundo.
E Passos?
O mais africano dos Primeiros-Ministros, o homem de Massamá, chamará a sua Laura para vir apregoar o conceito de família nas águas quentes da Manta Rota.
E se não ganharem eleições, em breve estarão num canal de televisão perto de si a comentar a actualidade dos outros que se seguirão e que no fundo são iguais a eles.
É preciso romper o ciclo da mediocridade e é necessário e saudável que toda esta gente saia e depressa.
A continuação de Portugal assim o exige mais do que nunca.

5 comentários:

  1. Do melhor, muito boas as alusões feitas.
    Como sempre com muito sentido de humor e de oportunidade.
    Abraço.
    AR

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  2. Muito bem Francisco, que se cumpra desiderato dos últimos parágrafos do teu texto, ou seja,

    " É preciso romper o ciclo da mediocridade e é necessário e saudável que toda esta gente saia e depressa.

    A continuação de Portugal assim o exige mais do que nunca."

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  3. Magnífico texto... que essa dupla e seus "discípulos" desapareçam para bem longe da nossa vista.Mas penso,como tem sido notório nos últimos dias, que eles não sairão pelos próprios pés, são mais do género de terem de ser escorraçados...

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  4. É preciso sobretudo dotar o país de gente nova, não saída das jotas partidárias, com ideias frescas e rompendo com o ciclo instalado que tem sido o mote nas ultimas décadas. Há que romper partidos e ideologias e focar numa unica ideia que é Portugal. Mais ou menos europeu, mas com condições de hospedar e enraizar os portugueses. Tudo isto antes de nos afundarmos directamente ou correndo o risco que todos os portugueses abandonem Portugal, em busca de uma vida melhor.

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