segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sérios, honestos e bons de contas…

Quando optamos por circular no IC19 e chegamos sem problemas a Lisboa mesmo que em hora de ponta, a elevadíssima probabilidade de podermos encontrar mesa num restaurante sem que antes tenhamos feito uma reserva, as áreas de serviço das auto-estradas literalmente às moscas, a consulta médica que antes marcávamos para daí a dois meses e que hoje pode ser conseguida da manhã para a tarde…
Existindo uma causa para tudo o que acontece poderemos dizer que as situações que descrevo serão consequência da crise e das suas vertentes, a saber e entre outras, o aumento do número de desempregados e também o brutal aumento de impostos de que fomos vítimas nos últimos anos, envolvendo tanto as taxas directas como indirectas, numa perspectiva de “vaca leiteira” com ligação ininterrupta às máquinas de ordenha.
Para só nos reportarmos aos anos desta legislatura temos em 2011 o maior aumento de impostos da União Europeia com o peso dos impostos no PIB a crescer de 31.5% para 33.2%, em 2012 ficámos a saber que éramos vice-campeões mundiais do aumento dos ditos logo atrás da Argentina, e em 2013 sofremos um “enorme aumento de impostos” segundo a apreciação do ex-Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, com cada Português a perder em média um salário mensal no contexto dos seus rendimentos anuais.
O desporto mais praticado, pelo menos pelas pessoas conscientes e que fazem boa gestão dos seus recursos, é hoje sem dúvida a “ginástica da carteira”, até porque as mensalidades dos ginásios subiram devido ao aumento da taxa do IVA.
Ao longo destes anos, bastas vezes, nós temos tido o desprazer da companhia do Primeiro-Ministro via televisão e sempre à hora do jantar, comunicando que por sermos um povo sério, honesto e bom de contas, temos de contribuir com mais um pouco dos nossos parcos haveres.
Sérios, honestos e bons de contas…
Na semana passada o Senhor Primeiro-Ministro afirmou que “a crise tem sido mais forte porque as pessoas gastaram menos do que previmos”.
Enganou-se nas contas.
Para além disso, o Português médio é de facto honesto e, ao contrário dos políticos não tem formas extra e subterrâneas de financiamento, pelo que se tem muito menos de rendimento é obrigado a gastar menos, em igual proporção.
Este fim-de-semana o Senhor Primeiro-Ministro afirmou que “nós não conseguimos recuperar a nossa economia para o futuro aumentando os impostos”.
A sério?
Andou conscientemente a “matar a economia” nestes três últimos anos, e perdoem-me a desagradável comparação, ao jeito do maquinista da Galiza que acelerou no risco e atirou as vidas para o abismo?
Terá por acaso a noção do número de pessoas que atirou para o desemprego ou do número de famílias que atirou para fora das suas casas?
O Português é sério, honesto e bom de contas, é um facto. E o Primeiro-ministro?
Definitivamente e comprovadamente não é.
Aproximam-se eleições, ele passou a pasta da economia para o parceiro da coligação, reformou o governo e vai começar um novo ciclo político…
Dirão em seu favor os portadores de cartão partidário ou os acomodados ao “tachinho” na organização do poder.
Pois…
Só que o pino feito em cima das feridas ou das fracturas dos demais é demasiado insuportável e causa muita dor.
Para além de que o bom senso e a vergonha serão sempre “irrevogáveis” na definição de um bom carácter.

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