domingo, 20 de abril de 2014

Aleluia

Há amêndoas sobre a mesa, o fruto revestido de açúcar que do arco-íris tomou as cores para nos adoçar este Domingo de Páscoa em que as nuvens persistem em querer copiar o encanto e o vigor das três bicas da Fonte Pequena aqui mesmo em frente à nossa casa.
Aleluia…
Sente-se por todo o lado mas é bem visível aqui no brilho das sardinheiras que a mãe tem na varanda, na jarra dos lilases roubados ao quintal por estes dias de Primavera, nas palavras breves trocadas com os vizinhos e com a D. Zárita que compõe os pratos de barro no seu quiosque com lembranças do Alentejo; aleluia nos sorrisos ao redor da bica por entre as memórias e as dores e alegrias do presente.  
Aleluia…
Em tudo mas sobretudo em mim.
Serei sempre eu quem optará pela reclusão escura de um sepulcro ou então quem iluminará os dias retirando à força as pedras, os biombos, os falsos pronomes que mascaram a minha verdade.
E é o degustar dessa verdade que faz os dias rimar com as amêndoas em cor e sobretudo em sabor; sempre no despudorado desprezo das “correctas” regras de toda a falsa moral e das hipócritas ambições dos tontos imbecis que se vestem de “heróis” pelas marcas que compram e pelos carros em que se montam, os presunçosos que são “dejectos” móveis e buracos negros de carácter e virtudes.
Aleluia…
Será sempre o canto da minha liberdade e do que sou; e eu sou o conjunto de todos os meus sonhos, a minha fé, as minhas crenças, os meus amores, as minhas vontades…
Eu sou a voz entregue às palavras ditadas pela alma, sou a expressão de um querer nos beijos, nos abraços aos que amo e quero, sou o grito que diz “não” ou o perfeito sorrir no cantar de um imenso “sim”…
Olho para longe, muito para lá do Castelo que em primeiro plano a minha vista alcança desde aqui do alto do monte onde vim beijar a passos a terra perfeita de onde sou e a que um dia me devolverei no beneficio de um sono eterno.
Vejo terras de Espanha.
E mais terras, eu poderia ver se mais alto fosse o monte e mais alto, eu tivesse subido pelo trilho que me indica esta verdade que define os horizontes.
Respiro o campo, agradeço a chuva, sinto-me em casa e… gosto do que sou.
Aleluia!

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