segunda-feira, 14 de abril de 2014

As histórias, os sonhos e as vontades numa tarde do Porto

O Homem é um pedaço vivo de História caminhando de encontro ao sonho por impulso e rota da sua vontade.
Na tarde de sábado no Porto e enquanto o mesmo sol que beija a Foz nos entrava intenso pela larguíssima vidraça para projectar nos nossos rostos as sombras das flores mais fantásticas do jardim, a sala foi uma grande mesa de amigos sentados à conversa.
Era uma vez…
O meu carnaval de 1972, quando a minha mãe me desenhou e costurou um fato de estudante com a capa e a batina a serem preparadas a partir de um conjunto de saias pretas da tia Maria Teodora que assim ficou sem roupa para fazer o luto do tio Alexandre que infelizmente partiu de aí a muito pouco, é a parábola de uma História, a minha, “tecida” a partir de tantas coisas simultaneamente grandes e simples que jamais desistirei de pôr em palavras para que assim elas se perpetuem juntamente com os heróis que as passaram como herança.
E de “saia em “saia”, palavra em palavra e de memória em memória, na tarde solarenga do Porto, a Luísa foi-me ajudando a contar a História na partilha de tantas histórias, de muito riso e muitas cumplicidades; e também daquelas tardes em Viana do Castelo em que adiávamos sempre as melhores Bolas de Berlim do mundo, as do Natário, e acabávamos a rir de nós no Bar do Hospital à volta de um panado que nos servia de almoço tardio.
“Joaquim, por favor não deixes esquecer essas histórias e escreve-as”.
Luísa, Jorge, Rui, Ângelo… estão aqui as histórias.
À volta delas e na tarde do Porto, se foram também soltando as vozes e as memórias dos amigos de há mais ou menos tempo, que os amigos quando o são de verdade são de sempre e para sempre; para uma conversa que durou mais de uma hora e que por entre a amizade e todos os afectos, o trabalho e a liberdade, nos colocou na rota dos sonhos e das vontades.
Por mais que a conversa beba da nostalgia e da saudade, as palavras entre amigos têm sempre esse condão de nos injectar futuro e preencher de amor todos os dias.
E se o Homem é um pedaço vivo de História caminhando de encontro ao sonho por impulso e rota da sua vontade…
Eu, no sábado e por mérito dos amigos, fui no Porto e à volta do meu livro “Estas palavras nascidas dos dias”, um homem feliz.
Muito obrigado a todos os amigos presentes pela oferta desse tempo tão cheio de sorrisos.

Sem comentários:

Enviar um comentário