terça-feira, 15 de abril de 2014

MARIA DE LURDES

No dia 11 de Fevereiro de 1983, na sexta-feira que antecedia o carnaval, caiu em Vila Viçosa um grande nevão que nos apanhou na Escola Secundária, já a nova ao Carrascal, onde eu, a Zinha, o Manuel e muitos outros amigos completávamos o 11º ano de escolaridade.
Sem telemóveis ou quaisquer outras câmaras fotográficas, registámos esse momento que até motivou na altura a dispensa das aulas, porque tu, mesmo sem ter sido chamada, foste ter connosco e levaste a máquina para fazer as fotos.
Não sei se te recordas deste episódio que poderá ser classificado pelo Manuel como mais um momento Memofante, embora eu tenha que reconhecer que para chegar à data exacta me socorri de um calendário perpétuo; mas achei importante começar por aqui porque este instante reflecte aquilo que tu és na vida e que nós agradeceremos sempre: a eterna amiga que pensa mais em nós do que nela própria e a pessoa que nunca falha na hora de nos tornar mais felizes.
Quem diz amiga poderá dizer filha, irmã, professora, catequista, companheira, colega…
E todos crescemos e somos melhores pessoas quando olhamos para ti e nos inspiramos no que és e fazes nessa inconfundível e muito valiosa nobreza discreta do ser.
Sempre com muito poucas palavras, mas na amizade e em todos os afectos, os gestos e as atitudes são bem mais importantes e fundamentais do que tudo aquilo que alguma vez possa ser dito.
Olha a música que “roubas” ao piano!
Não tem palavras e fala tanto e tão bem quanto a tua harmonia.
Também é bom quando nos rimos muito ao redor daquele humor subtil de que ambos somos bons apreciadores, no Café Restauração quando tomamos a bica à saída da missa de São Bartolomeu; no avião a confortar a Amélia que no seu Baptismo de Voo não quer mexer sequer a cabeça para que o aparelho não se desequilibre e acabe por tombar; em Oxford Street quando um alarme de bomba nos apanha a provar roupa no Marks & Spencer e nos separa a todos pelas ruas adjacentes ainda em tempos de pré-telemóveis com roaming; quando o João Paulo, ainda a tirar tardiamente a sua Carta de Condução, resolve acelerar com o teu carro pela estrada de entre Bencatel e Rio de Moinhos; quando comemos juntos uma “Lasanha Vertical” no Planet Holywood; quando nos encontramos nas viagens em Viena, Budapeste e Estocolmo, com ou sem a “Beatriz Costa do Século XXI”; ou até em Barcelona, em Montjuic, quando afirmas que 1936, o ano da construção do Estádio Olímpico, foi o ano em que tu nasceste… nos planos de Deus, claro.
A cumplicidade do riso também é uma importante raiz na construção das boas amizades.
E para terminar faço-te um apelo…
Aproxima-se a Páscoa, vamos estar juntos e eu antecipo que vou ouvir das boas por ter escrito e publicado tudo isto.
Já vou preparado, mas no ano em que me proponho usar as datas de aniversário de cada um para escrever um pouco sobre as memórias e sobre aqueles amigos da “velha guarda”, não leves a mal, mas tinha de escrever algo sobre ti.
E depois e se reparares bem até não digo a tua idade, pois não quero que alguma vez alguém que possa vir a ler isto em público tenha de amputar algum parágrafo.
O que até nem seria inédito, mas enfim…
Lurdes, um feliz aniversário e que contes muitos mais anos, por ti, claro, e por nós que precisamos de te ter por perto para sermos um pouco melhores e mais felizes.

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