terça-feira, 25 de março de 2014

Um fim-de-semana na quinta da Avó Teodora

Com base na minha experiência de tio extremoso, recomenda-me a prudência que jamais deixemos avós e netos num mesmo espaço durante muito tempo, tal o elevadíssimo risco de danos irreversíveis sobre mobiliário, roupas, instalação eléctrica, alimentos, etc. Ou seja, este intercâmbio geracional resulta habitualmente num encontro de rastilho e fósforo, e é capaz de fazer explodir tudo aquilo que com ele coabite na ausência de uma possível e pronta intervenção racional da nossa parte.
Foi pois uma irresponsabilidade terem colocado ontem a “avozinha” Teodora Cardoso, septuagenária Presidente do Conselho das Finanças Públicas e que já deve alguns anos à reforma, em amena “cavaqueira” com o Grupo Parlamentar do PSD, os “netinhos” que adoram brincar aos referendos e que colam cartazes nas paredes como quem cola cromos na caderneta.
Ao melhor estilo “apartamento da Sónia Brazão”, a senhora recomendou que não se taxe mais o ordenado mas que seja aplicada uma taxa sobre cada levantamento que o indivíduo faça directamente da conta onde depositou esse mesmo ordenado.
Diz ela que assim se incentiva à poupança.
Embora eu tenha muito respeito pelas suas células cerebrais cansadas, é triste ver como a pobre senhora já não consegue vislumbrar que a maioria dos Portugueses afortunados por ainda conseguir receber ordenado, não poupa porque não quer mas sim porque não pode.
Os “netinhos” também ainda não cresceram o suficiente para conseguir explicar estas coisas à anciã criatura.
Que tal pegarem no andarilho da lucidez e levarem a pobre senhora a visitar um supermercado em hora de ponta assegurando-se que a graduação das lentes é a indicada?
E depois, que precedente perigoso se poderia abrir com esta medida que taxa tudo a jusante dos processos…
Poderiam aliviar-se os impostos sobre os alimentos mas colocar um sistema ao estilo “Via Verde das Sanitas” que permitisse avaliar o volume de resíduos sólidos e líquidos devolvidos pelo metabolismo de cada família, volume ao qual seria aplicado depois um imposto, o ISM (Imposto sobre a m…).
É possível promover também um alívio das taxas moderadoras no acesso às urgências hospitalares, promovendo de seguida o desenvolvimento de um novo imposto sobre a redução média de febre conseguida por acção dos anti-piréticos prescritos em tal consulta, o ISRMT (Imposto sobre a Redução Média de Temperatura), com uma ligação de cada termómetro aos satélites controlados pelo Ministério da Saúde.
Em Portugal e de forma definitiva, o principal território para o desenvolvimento da criatividade é a cobrança de impostos. É a criatividade associada à eficácia, pois nem um só fica por cobrar.
Há alguns anos, mais precisamente no longínquo ano de 1931, a actriz Corina Freire estreou na revista “O Mexilhão” o grande sucesso “Teodoro não vás ao sonoro”.
Cantava assim:
“Teodoro não vás ao sonoro
Teodoro não sejas ruim
Teodoro repara que eu choro
Se fores ao sonoro não gostas de mim”
Em 2014, o nome da revista pode manter-se porque não poderia ser mais pertinente, mas para a letra eu sugiro:
“Teodora vai-te lá embora
Teodora não sejas ruim
Teodora repara que agora
Se não fores embora não gostas de mim”
Teodora é para teu bem porque se resolvem mesmo criar o ISM tu vais à falência.

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