segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O sonho do Mouro

O sol nasceu há pouco e brilha intenso num êxtase de luz ao jeito da palete de um artista, mestre pintor, nesta manhã de um Setembro que se recusa a matar o verão.
Este momento tem para mim o gosto, o conforto da solidão afogada no intenso aroma de um café
Voa o olhar.
Deixo que o faça.
E leva com ele, incansável, o irrequieto e indomável pensamento
Ao longe, o Tejo.
O fado feito um rio no inevitável destino de oceano.
A alma moura e rebelde de Lisboa é bênção pelas águas levada aos confins do universo.
E eu?
Mouro, incansável cavaleiro galgando o tempo, desbravando os dias, procurando-te a ti, alcáçova, refúgio do meu ser.
Tu, alma e sorriso, abracadabra, secreta chave.
E por ti, mil e tantos anos… a eternidade.
Eu e tu, nós assim juntos, os dois na vida, Medina de labirínticos mil caminhos mas na rota e na certeza de um só destino.
Um sonho…
Ou tão-somente o aroma de um matinal café com a memória.

1 comentário:

  1. Há memórias que são verdadeiros sonhos ( ou não?), chegam a ter cheiros, sabores e almas. PP

    ResponderEliminar