segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um chocolate ao estilo de coca

Há dias que parecem ter um guião escrito pelo nosso maior inimigo.
De manhã ao ligar a ignição do carro apercebo-me de uma estranha luz amarela no placard que me leva a consultar o glossário e me indica que o carro tem excesso de gases.
Não me faltava mais esta.
Consultado o "médico" recebo a confirmação do diagnostico e a prescrição. O problema não é grave e devo ir para a auto-estrada fazer 30km a 120km/ hora mas na quarta velocidade.
Como tenho de ir para o aeroporto resolvo ir pela CREL e faço desta auto-estrada um verdadeiro Aero-OM para o veículo ao mesmo tempo que eu faço figura de um inexperiente recentemente encartado.
Faço ideia dos nomes que me chamaram ao ver-me acelerar o carro ao jeito de quem vai levantar voo.
Chego ao aeroporto já em cima da hora e “acelero” então para despachar a mala. A fila é longa mas lá resolvo o assunto a tempo de correr para a segurança onde me mandam para uma outra fila que não avança.
Passado um quarto de hora e após cruzar o pórtico das apitadelas apercebo-me que a causa da lentidão é uma agente da Prosegur que está em treino e que com lentes à Mister Magoo não enxerga nada nas malas de viagem.
Já está na hora para o embarque.
Corro.
"Senhores passageiros vamos dar inicio ao embarque do voo TP804 com destino a Milão. Queiram por favor apresentar os cartões de embarque acompanhados de um documento com fotografia. Lamentamos informar que pelo facto de o voo ter uma tripulação mínima de segurança não haverá refeições a bordo".
Boa. Estou cheio de fome. Fui tratar dos gases do carro e acabei com um vazio no estômago.
Ao embarcar pergunto à funcionária qual o motivo para a redução da tripulação. Sorri e responde que não faz ideia. Sugere que eu pergunte "lá dentro".
E lá dentro, pergunto mesmo a uma hospedeira que se sentou ao meu lado no momento da descolagem.
Peço-lhe uma folha de reclamações e ela até me agradece a disponibilidade para a preencher. Diz que é preciso salvar a TAP.
Vamos a isso, oh minha amiga.
Pergunto se há algo a bordo que se possa comer dado que sou diabético e ela diz-me que não me preocupe.
Regressa passados uns minutos com a folha de reclamações e um micro-chocolate camuflado que eu devoro de seguida.
Passa meia hora depois para recolher a minha reclamação e traz-me outro micro-chocolate camuflado num guardanapo.
Que bem que me sabem os benditos dos chocolates comidos assim ao jeito de algo ilícito pois até o filme que colocaram para nos distrair tem o Mr. Bean a "atacar" umas muito coradas patas de frango.
E não deixa de ser divertido este tráfico de chocolate que no ambiente esfaimado do avião tem um valor incalculável.
Os Italianos aqui à volta já estão desconfiados com as "coisas estranhas" que eu coloco na boca. Mas que importa.
Para além disso eles já convivem com a máfia há imensos anos e eu e a hospedeira minha amiga somos uns meninos quando comparados com a Camorra.
Da única vez que vim a Milão, em Junho de 1997, partilhei hotel com o Michael Jackson que vi passar entre seguranças no hall do hotel de mascarilha preta na cara.
Hoje saiu-me viver o Thriller.
E prefiro mesmo associar Milão ao Jackson já defunto pois pensar na última ceia pintada pelo Leonardo da Vinci, que também visitei nessa altura…
Ceia, comida…
Definitivamente não.
Ao sair do avião a minha cúmplice despede-se e pisca-me o olho.
Lá pensarão mais uma vez os Italianos:
- Estes Portoghesi.
Pois, de facto estes Portugueses não sabemos mesmo tratar do que é nosso e estamos a matar a TAP.
É uma vergonha.

1 comentário:

  1. :) Está demais....carro com gases e a auto - estrada vira um verdadeiro Aero-Om, ahahah e um chocolate ao estilo de coca...muito bom. Fiquei a rir-me. Obrigado.
    P

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