quarta-feira, 4 de setembro de 2013

São Miguel

A manhã trouxe a bruma que do olhar me matou o mar
Agora
Sentado aqui na areia negra
Respiro-o apenas
Intenso aroma de sal
E
Sinto-o no voo das gaivotas
Loucas
Insistentes
Em dança riscando o céu
Por sobre o privilégio desta ilha

Ilha de São Miguel
Império de fé de um Santo Cristo
Senhor de Sete
Ou de todas as cidades
Lenda ou Atlântida
Vulcão de fogo
Jangada livre e verde de um chão de basalto

A praia está deserta
É só minha
E um homem assim
Em frente ao que sente ser o mar
É dono do mundo
E jamais poderá deixar de ser criança

Capitão solitário
Mestre da jangada
Deixo-me ir mundo fora
Poderoso
Conquistando impossíveis
Herói dos mares
Pela vida fora

Só mata os impossíveis, quem, de qualquer idade, se sabe devolver à magia, aparente inconsciência de ser criança

A brisa que esconde o mar
Abraça-me intensamente
Afaga-me o rosto

Estou aqui
Apenas tão-só uma criança
Bailando com as gaivotas
Desenhando o céu

O meu céu

1 comentário: