sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quinze anos

O melhor que têm os dias é a imprevisibilidade dos momentos que nos podem mudar a história.
Por ela, puro acaso ou mão de Deus segundo a fé, se arquitecta a esperança que alimenta até o mais triste e desesperado dos Homens.
Tinha trovejado há pouco e a chuva tinha vindo dar à cidade em brasa, o inédito e agradável cheiro da terra molhada. Era domingo e nada fazia prever que não fosse tão só e apenas, mais um domingo.
Mas este domingo contrariou a solidão de todos os outros: tu chegaste para marcar um antes e um depois de ti indiscutivelmente mais feliz.
As ruas desertas de gente receberam os nossos passos paralelos e a bênção de uma conversa, rima de duas línguas na poesia de uma língua só que desde logo fizemos nossa.
Por ela se escreveram os planos, o desenhar dos anos à luz da paixão e na inspiração de um inédito amor que nos encheu os dias de beijos, abraços e cumplicidades.
Os nossos dias felizes depois desse imprevisível mas tão perfeito primeiro olhar.
Pela força do tempo, da distância e dos sentidos (que talvez não sejam mais do que desculpas para as fraquezas do poeta) se rasteirou um ciclo que tantas vezes julgámos eterno nesses domingos que passaram a ser os nossos e em que acompanhávamos o Tejo nesse acto sublime de se entregar ao mar, o mar Atlântico, o mar do Guincho e o mar da beira Serra, Sintra, o nosso sempre eleito paraíso.
É afinal tão vulnerável a eternidade quando falamos de amor… mesmo de um grande amor.
Mas vulnerável nunca será a memória de ti.
Tu, eterno em mim e na minha história…
Passe o tempo que passar.

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