quinta-feira, 1 de maio de 2014

“Adsum DEO”

Há não muitos anos contava-se como anedota uma história imaginada numa barraca onde vivia um grupo de gente bastante humilde e com fome, que ao ouvir bater à porta e depois de saber que quem batia vinha da parte da Cruz Vermelha Portuguesa, respondia:
- Já demos.
Sem pretender discutir aqui a legitimidade desta crítica à organização secular em causa, lembrei-me ontem desta história ao ouvir os ministros a apresentarem o DEO (Documento de Estratégia Orçamental), porque entre o IVA e a TSU lá veio mais um ataque às poucas décimas / migalhas que nos restavam.
E a mim e aos outros, por entre esta corrida a "Passos de Coelho" para as "Portas" do inferno parece que nada mais resta do que dizer Adsum Deo, que é como quem diz em latim “eis-me aqui Deus”.
E o Deus é aqui a despudorada face dos eleitos que atacam em conferências de imprensa ao fim da tarde, e sempre por entre a mentira de quem diz não aumentar impostos e a hipocrisia de saídas limpas, que o podem ser para os mercados, mas que são sujas e bem sujas pelo sangue da dor do povo, e sujas pela asquerosa trampa da incompetência deste bando de incorrigíveis “jotas” armados em ministros.
Onde estão os cortes na despesa que não os ordenados dos funcionários públicos, as reformas e os demais componentes do Estado “minimamente” social?
Onde estão os cortes nos pagamentos aos escritórios de advogados que fazem leis e dão pareceres infindáveis?
Quantos assessores por nomeação política se cortaram em número e benefícios?
Quanto se reduziu nas verbas entregues pelo Estado aos partidos políticos?
Quanto se reduziu nas ajudas de custo e de representação dos políticos eleitos?
E quanto...
Parece que muito pouco, e por isso e na véspera do Dia do Trabalhador, que por este andar, mais ano menos ano, ainda virará "Dia do Pingo Doce", lá tivemos que aturar a Colombina e o Arlequim numa Comédia Bufa da qual já começamos a saber de cor todo o enredo e onde os heróis não são aqueles que propagandeiam números em cartazes, mas aqueles tantos que damos o couro e o cabelo para pagar as contas da incompetência destes e dos seus antecessores de quem são clones.
Batam-nos palmas e vão-se embora.
Esses cartazes que andam por aí espalhados e que pretendem ser eco do mérito dos políticos no virar das estatísticas e argumentos na caça aos votos, são apenas epitáfios colocados sobre a dor de muita gente.
Lembrem-se disso quando chegar a hora da vossa “saída limpa”.
É que se é verdade que quem não é para comer não é para trabalhar, não é líquido que quem mais “coma” seja o melhor para trabalhar. 

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