sábado, 17 de maio de 2014

E tudo a Troika levou?

Hoje é o dia.
A Troika “foi-se” e por inspiração do Dr. Passos Coelho, eu deveria estar a celebrar um novo 25 de Abril; segundo o Dr. Paulo Portas, eu deveria sentir a alegria do povo que grita “liberdade” por entre o heróico defenestrar do Miguel de Vasconcelos na manhã de 1 de Dezembro de 1640.
Mas não fosse eu andar distraído e já ter posto no frio alguma garrafa de “Moet Chandon” para consumir ao jeito de cravos vermelhos em versão burguesa, a Senhora Dra. Helena Vaz, Directora de Serviços do IRS, encarregou-se de me enviar ontem uma missiva demasiado explicita em relação aos motivos de folguedo que me assistem.
Numa acção bipolar e esquizofrénica, o Estado Português consegue dar-me oficialmente o estatuto de rico, ao mesmo tempo que me empobrece, definitivamente.
Solteiro e sem filhos, sou condenado a “amamentar” o Estado com um “Coeficiente Conjugal 1” que me leva logo 48% do que ganho, o que sendo pouco ainda me obriga a uma sobretaxa extraordinária de 3,5%. Tudo somado e apesar de mês a mês eu receber menos de 50% do ordenado, a referida Senhora Directora mandou-me assim uma factura jeitosa que perfaz o valor de 3.842,47 €.
Fiquei tão feliz…
Tudo isto por entre a sensação de me sentir com sorte pois há muitos que nem 50 cêntimos conseguem ter para comprar pão.
Tudo isto apenas para pagar as dívidas derivadas dos luxos e da má gestão porque o Estado Social agoniza diariamente e os nossos benefícios, e os benefícios dos mais vulneráveis que eu nunca me negaria a suportar; diminuem de forma inversamente proporcional às “sobretaxas” com que nos carregam.
Motivos para celebrar?
Não tenho nem nunca tive.
A ressurreição dos políticos, sei-o há muito, assenta invariavelmente na crucificação indecente do povo. A cruz que nos pedem para colocar nos boletins de voto, é simbolicamente igual à que nos oferecem todos os dias, que carregamos aos ombros e que nos faz tropeçar e cair de dor.
Somos o “churrasco” do seu banquete celebrado em números e cartazes de propaganda.
A Troika?
Objectivamente, o mal de Portugal nunca foi nem será a Troika. Entre a saloia abastança “BPénica” do Cavaquismo, a beatice caridosa do Guterrismo, o fugidio e carreirista percurso do Barrosismo, o novo-riquismo Armani despesista de Sócrates, e este pseudo rigor rural nacionalista Joana de Vasconcelos, de Passos e Portas; os males de Portugal são os políticos todos.
Os credores apenas aproveitaram a sua oportunidade para ganhar mais algum dinheiro deitando a mão a este circo em que eu sou involuntariamente um dos patrocinadores.
Assim…
Celebrar o 17 de Maio?
Não me “lixem”.
A vossa sorte é não haver janelas suficientes para vos atirar a todos.
Vocês é que são a “Troika”.

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