sexta-feira, 18 de julho de 2014

A jangada e as más ondas

Num país que tem um “Cemitério dos Prazeres”, um “Palácio da Pena”, que festeja a “Festa das Cruzes” e as “Festas da Agonia”; não será talvez novidade e motivo de revolta, que os “Passos” do Parlamento (e do governo) sejam “Perdidos”, esbarrando sistematicamente em “Portas” fechadas ou que não levam a nenhum lugar “Seguro”.
Um país de políticos virados para o poder e entretidos na luta pelo dito, sempre de “Costas” voltadas para o povo a quem não dão “Cavaco”, ou melhor, dão, mas é como se não dessem nada de bom.
E antes não dessem nada.
Um país onde a banca, “Branca” só teve uma dona há muitos anos, e mesmo essa porque os pais e os padrinhos resolveram chamá-la assim na hora do registo; tudo o mais é negro de procedimentos e de consequências para os bolsos dos contribuintes.
Um país que vai perdendo a fé, onde até o “Espírito Santo” anulou o Cristiano Ronaldo (ao jeito do Bastian Schweinsteiger), assassinou a D. Inércia, e avançou sem medo para o precipício.
Um país onde os católicos mais puristas, xenófobos, homofobos, e com mais tempo de antena, gritam “justiça” do alto dos seus carros de alta cilindrada e dos seus múltiplos ordenados, opondo-se ao respeito básico pelos cidadãos e… ao aumento de um ordenado mínimo que já é “excessivamente” mínimo, no exercício de uma estranha caridade.
Um país que alinha a música popular com as finanças, e… “Pimba”, há sempre um imposto que pode aumentar um pouco porque o povo pode ser tonto, mas tem bolsos de elástico e tem vocação de “aguenta, aguenta”.
É forçosamente um país em que os Negócios Estrangeiros estão instalados perpetuamente num “Palácio das Necessidades”, sendo estas satisfeitas periodicamente e de forma bem cara após a mão estendida a uma qualquer Troika.
É forçosamente um país onde o maior reconhecimento internacional vem da genética tristeza ensaiada e cantada em tom de fado… e do turístico sol que ainda consegue brilhar por cima do nosso desespero.
É forçosamente um país onde a filosófica ambição do “só sei que nada sei” foi transferida para outros “Sócrates” mais resignados ao marketing do “porreiro, pá”.
É forçosamente um país desesperado e agarrado a uma esperança que vai assumindo cada vez mais os ares de uma muito rudimentar jangada em risco de afundar.
Resta-nos resistir nadando com força porque o nosso querer nunca se dissolverá na imbecilidade das ondas que nos empurram. 

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