terça-feira, 1 de julho de 2014

Julho

Não fora a consciência do sítio por onde andamos no calendário, e pela chuva persistente a bater na janela do meu quarto durante a madrugada, eu juraria que hoje não se iniciava o segundo semestre do ano, o mês de Julho.
Mas sim, é Julho e vai estranho este verão na agonia de mais um ditado popular, pois parece pouco crível que “em Julho nunca a água do rio fez barulho”
Se nunca fez, talvez faça agora, sem que Julho deixe de ser Julho.
As nuvens no céu nunca conseguirão matar o verão, resistente no calendário, tal como nós não morremos nunca, nem nos deixamos morrer naqueles dias em que parece que o sol emigrou muito para lá da nossa existência.
Julho homenageia Júlio César, o imperador romano que nasceu nesta altura do ano, e é o mês designado por Heinakuu no Calendário Finlandês, o que significa “o mês dos fenos”…
E o tempo, ou qualquer das suas fracções, será sempre aquilo que quisermos que ele seja, em tudo e até no nome, com mais ou menos intervenção das nossas mais convictas crenças.
“Em Julho, eu o ceifo e o debulho” ou “Por todo o mês de Julho, o celeiro atulho”, faz-nos estar mais próximos dos Finlandeses do que aquilo que poderíamos supor.
Há sempre pontes entre duas margens que parecem inconciliáveis. Às vezes basta apenas procurá-las com arte e engenho.
E se nós gostamos de um Julho quente para andarmos por aí a saltitar e até aproveitar o sol ao fim da tarde para uma bebida à beira-mar, o contrário pensam as abelhas, de quem se diz:
- “Em Julho abafadiço, fica a abelha no cortiço”.
Até o clima, à semelhança de nós, não consegue agradar a todos ao mesmo tempo…
Impossível… e cuidado com as abelhas que com estes dias vão andar por aí a disponibilizar ferrão para quem se aproximar delas.
Julho…
Com chuva ou sem chuva vou fazer dele um pedaço fantástico do meu verão. Serei imperador ao fim da tarde sentindo o rio correr, a cantar ou no silêncio, recolhendo na alma todos os beijos da seara dos desejos que semeei contigo numa luminosa e fértil primavera.
Dar-te-ei abraços ao jeito de eternas pontes, em momentos doces, cúmplices e gémeos do amor que une as abelhas e as suas flores.
Em Julho…
Contigo.

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