quarta-feira, 9 de julho de 2014

A nossa “casa”

Nas obras da nossa casa em Vila Viçosa, ali à esquina da rua que consta ter sido a primeira construída fora das muralhas do castelo e a que deu nome D. Pascoela de Gusmão, aia dilecta da Duquesa de Bragança, D. Catarina; o interessante por estes dias tem sido a descoberta de portas e nichos que o tempo e as “vontades” dos Homens foram entaipando.
Com “Bilhete de Identidade” a indicar que esta casa era a dependência dos que serviam no Paço Matos Azambuja, a “Casa dos Arcos” ali mesmo ao lado, a expectativa de encontrar potes de ouro é quase nula, mas à medida que cada parede vai sendo arranjada, é possível ir descortinando como em tempos idos, as várias divisões estavam organizadas.
Por entre o pó emerge uma história.
De aqui a uns dias; muito pouco tempo espero eu; a casa terá internamente uma nova face, mais adaptada a nós e à família que somos.
Por fora, tudo será preservado, respeitando a história e a nobreza de um lugar entre o Paço Ducal e o Castelo, porque afinal é por dentro que efectivamente se constrói o nosso conforto.
E as casas são tão parecidas connosco…
Interessa mais o que vai dentro do que tudo aquilo que as “fachadas” mostram e indiciam.
Com independência da história de outras serventias, de outras portas e janelas, e de outros nichos destinados a tantos outros cultos, é sempre possível colocar as coisas ao nosso jeito.
É preciso passar pela fase do pó e do barulho quando não estamos satisfeitos com o que temos, quando deitamos abaixo o que existe e não queremos mais, dando corpo à expressão “arquitectónica” da vontade que nos vai no mais profundo da alma.
Pagamos um preço para que as alterações se concretizem depois de muito planear / pensar e depois de muitas conversas com os “arquitectos”, os engenheiros e os pedreiros.
Somos nós que escolhemos tudo o que ficará por dentro, desde a cor das paredes até ao tipo de piso que colocaremos em cada divisão.
No final, depois da obra feita e das alterações operadas, sentimo-nos sempre bem e confortáveis.
E entrar lá?
Nas casas como na alma e na nossa vida, só quem nós quisermos.
E não basta ser insistente a tocar à campainha.


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