quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Inglaterra, uma tarde de Outubro



Sentei-me num dos cantos da lareira de onde melhor se espreita o crepitar da lenha. 
Com um bloco assente nos joelhos, escrevo-te como se estivesses aqui comigo à conversa; e o cheiro da madeira quando arde, tempera as palavras de um muito informal e profano incenso.
Já anoiteceu, faz frio, e na gente que sai da igreja após rezar as vésperas, é possível ver gorros de lã.
Vejo-os pela janela enquanto sinto que tu és a minha fé.
O campo que é verde e banquete para as ovelhas que pastam tranquilamente, já se apagou rendido ao ocaso tão precoce.
Mas o mesmo Outono que o fez assim deixou generoso um tapete de folhas com tons entre o vermelho e o castanho, adornos vulneráveis ao vento mas que cobrem os meus passos enquanto caminho.
Vou só, sentindo o aproximar de cada candeeiro pela dimensão da minha sombra... e das sombras vou tirando imagens que um dia poderão ser palavras.
As folhas do Outono conhecem a intimidade dos meus passos, sabem bem para quem caminho.
Faz frio...
Mas com a fé, o incenso, a lenha e o amor que nos entrelaça os passos eu teci uma manta, fi-la como que de retalhos das muitas palavras que te escrevi.

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