segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Mua mua


Soa estridente a campainha da porta e um gato com ar Japonês chega ao patamar da escada antes de mim.
Estanca o seu passo, põe um certo ar de mistério e fica por ali curioso a ver o que isto dá… quem é que vem lá?
Eu poupo-me a descer os degraus de pedra e puxo a longa corda que abre o trinco.
- Ainda bem que vieste
- Mua mua
Que é como quem se beija.
O gato mia a pedir que lhe sacies a vontade de uma festa e rebola-se entre as tuas mãos.
Depois entramos para a sala e sentamo-nos os três, nós e o gato, enquanto entre umas sangrias e um Gin tónico me mostras um relógio que canta, uma televisão que dança flamenco e até uma Bimby que vai ao supermercado e consegue comprar aquilo que de mais estranho por lá existe.
Gudgets… e gargalhadas; sopa, grelhados e “abafadinho de castanhas”.
A idade dilui-se sempre na voz de mel, as fronteiras calam-se num estranho falar do Português com salero…
Tu acabas por me contar uma história, eu conto-te a minha história e ficamos inevitavelmente os dois a chorar entre poemas de amor.
Depois, e porque já é tarde, vai cada um para o seu quarto e o gato prefere sempre ficar contigo.
Já deu a meia-noite.
- Mua mua.
- Até amanhã.
E cada um na sua janela acaba sempre a mandar beijos pela lua.

O meu amigo Carlos Lanão (Titin) cumpre hoje o seu aniversário e eu dedico-lhe esta pequena brincadeira tecida de palavras. A corda de abrir a porta existe na casa dos meus pais em Vila Viçosa e ele já se deliciou com ela, o gato existe na casa dele, o “abafadinho de castanhas” é obra do Ângelo, e o resto foi inventado pondo espaços e passos nas palavras que tantas vezes trocamos nas mensagens escritas em que acabamos sempre os dois a falar dos nossos amores.
Carlos, um beijo de parabéns, e por favor não te vás embora. A amizade é como a corda lá de casa e só abre a porta, nunca a fecha.

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