sábado, 31 de outubro de 2015

O céu encarnado…



Abraço a tarde no instante em que o sol lavra o céu de encarnado, a lua já se pressente sobre a campina; e entre mim e o horizonte há uma desgarrada ao toque insistente do olhar.
No Alentejo, a terra rasa estende os horizontes e permite-nos espreitar o sol a espreguiçar-se antes de adormecer.
O céu encarnado...
O céu tomou o tom de barro da terra dos meus passos; e sentindo o cheiro dessa mesma terra e com os pés sem pudores beijando a planície, sou eu quem tomou o céu, por ti, no azul perfeito do amor que nos reveste os dias.
Fecho os meus braços escondendo a tarde como quem te abraça.
E deixo-me ficar contigo.
A planície, a lua e o tu… o céu onde não cabem bruxas ou santos, o céu que não se apaga nunca. Nem ao anoitecer.

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