sábado, 18 de janeiro de 2014

A imbecilidade das “Jotas” no país que pede pão

Foi num dos dias desta semana e aconteceu quando fui fazer umas compras ao supermercado onde vou habitualmente. Um homem alto e magro aproximou-se de uma senhora que arrumava as suas compras no porta-bagagem a pedir-lhe algo.
À distância de uma dezena de metros, só depois de ela lhe ter dado um pão que ele começou imediatamente a comer de uma forma sôfrega, me pude aperceber da natureza do pedido.
Este é apenas um episódio mas quem circula pela cidade e não se olha apenas ao espelho usando os vidros das montras mais caras de uma face que é apenas da riqueza de muito poucos, tem a possibilidade de ir coleccionando momentos destes que lhe comprovam a agonia real do país.
E a agonia do país é tanto maior quanto quem o lidera está mais preocupado, imagine-se, em acertar as contas com o proprietário de um restaurante que serve repastos de leitão, ou então a gastar milhões de Euros para fazer um referendo onde se questionam os óbvios direitos de igualdade que segundo a Constituição da República Portuguesa assistem a todos os cidadãos.
Eu sei que nas Juventudes Partidárias, incubadoras artificiais de líderes que asseguram a continuidade desta reinante mediocridade política, financeira e social, não há tempo nem para estudar segundo os curricula normais, quanto mais haver tempo para ler e conhecer a Constituição.
É que entre festas, copos e comícios a agitar bandeiras, escoa-se o tempo e vão-se os dias não restando mais nada do que aquelas convicções bacocas e tolas que foram recebendo ao longo dos anos em que fizeram o secundário frequentando os caríssimos colégios da Opus Dei metidos pelos seus “paizinhos” numa máquina de fabricar elites.
Crianças? Adopção?
“Bendita seja a família tradicional, independentemente do pai bater na mãe ou ser alcoólico e até violar uma das filhas que recorre ao aborto clandestino”.
Adopção por casais homossexuais?
“Credo. Que desvio. Antes um reformatório só com freiras no caso das raparigas e com frades no caso dos rapazes para que assim possam beneficiar do crescimento num contexto em que os géneros femininos e masculinos estão ambos presentes.”
Por favor…
A agonia real do país é uma consequência dolorosa deste desprezo atribuído aos cidadãos no contexto de uma agenda política orientada pelo folclore das bandeiras ideológicas dos partidos, e no caso concreto da co-adopção, dói esta incapacidade de perceber que o contexto afectivo ideal ao crescimento de uma criança não está vinculado a uma forma familiar padrão.
Com a mesma forma de alumínio eu posso fazer um bolo doce ou uma salgada bola de carnes, como em tudo na vida interessa sempre mais o conteúdo do que a forma.
E o Estado deve ter meios para assegurar que há ou não um contexto ideal para que uma criança possa crescer e desenvolver-se de forma saudável.
Isto tudo para lá da questão dos direitos iguais que nos assistem…
Mais uma vez se comprova que o país só tem condições de avançar quando cortarmos este ciclo da imbecilidade e colocarmos a decidir e a legislar, gente que não precisa saber muito mais para além do que é a vida real num dia-a-dia que não está fácil.

1 comentário:

  1. Excelente, sem reservas.
    Dos melhores textos que já li sobre esta imbecilidade.

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