quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Por ti… colher a sorte numa triste manhã de inverno

A negra cortina das nuvens, mais até do que o voo alucinado e o choro das gaivotas por sobre nós e por sobre a terra, indicia que lá não muito longe, ali na zona do Bugio onde o farol testemunha a entrega do Tejo ao Atlântico, segue de tormenta a manhã no mar, insaciável sofreguidão no abraço das ondas, muito para lá da sua costumeira fidelidade à areia da praia.
Por aqui, na muito rara pausa de chuva num dia tão cinzento de Janeiro, há um homem com uma voz demasiado rouca, indício marcado de uma intensa e longa história, que insiste em apregoar a “sorte” no refúgio dos anónimos convocados pelo aroma e pela promessa de uma bica quente que nos possa confortar o ser.
A “sorte”…
Saberá cada um qual é a sua nesta roda que é a própria vida no inevitável percurso pelo calendário.
E a minha sorte, eu sei, transpiro de certeza… és tu!
E não te trocaria jamais por nenhuns quaisquer muitos milhões de nada e do que quer que fosse, se de amor infinito se me enche a alma quando tão-só e desde aqui de longe eu penso em ti.
Tão vulgar se torna o ouro nesse tão breve instante em que o dia me oferece a bênção de apenas um beijo ou de um abraço teu.
O desenho do teu rosto perfeito sobrepõe-se a todas as imagens que me envolvem, e projecta-se nítido e sempre no sorrir tímido dos teus olhos céu, nessa cortina tecida pelas nuvens e permanentemente rasgada pela inquieta dança das imperiais aves que dominam o “tecto” de todos os mares.
Há tempestade no mar…
E eu, que bebo das palavras e dessa mágica e única paz que a intensa memória me solta de ti, sou sobre a terra o mais feliz de entre todos os homens.
Que não importa a distância, o silêncio e o não ter-te aqui, quando apenas saber que existes e amar-te assim, é alinhar o destino com o maior dos sonhos…
É colher da vida a maior sorte.

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