sábado, 4 de janeiro de 2014

Diz-me a que pertences e dir-te-ei quem és?

As pessoas não são todas iguais.
Há pessoas boas e pessoas más, e o que as diferencia é aquilo que elas são na sua essência, e não o grupo a que pertencem, quer estejamos a analisar numa perspectiva pessoal, de género, profissional, política, religiosa, clubista ou qualquer outra.
Os jornais e a opinião pública em geral estão pejadas destes “julgamentos” infundados, que confesso, me irritam sobejamente.
Na recente “cruzada” contra os professores tenta passar-se a ideia de incompetência e de pouca aplicação ao trabalho. Haverá por certo quem se enquadre nesse grupo, mas estou plenamente convencido de que a grande maioria dos professores são competentes e aplicados, apesar dos “meninos” cada vez mais mal-educados que as famílias lhes “despejam” para as salas de aula. Digo isto porque tive professores excelentes no meu percurso académico e porque conheço bem o carácter fantástico de muitos amigos que são professores.
É pois tremendamente injusto este ataque às classes profissionais do qual há alguns anos os médicos também foram vítimas.
Também é comum afirmar-se que os funcionários públicos não gostam de trabalhar e só gostam de usufruir de regalias principescas. Poderá acontecer com algumas pessoas, por exemplo com algum chefe de repartição de finanças algures pelo país, mas a senhora que varre exemplarmente o passeio aqui à porta de casa e que eu cumprimento todos os dias, tenho a certeza de que é uma funcionária pública exemplar, com a vantagem de ser muito simpática.
Por haver um ou vários padres condenados por pedofilia, passa-se logo à extensão desse pecado a todo o clero. Conheci e conheço centenas de padres, convivi com eles durante semanas da minha juventude, são das melhores pessoas que conheço e um julgamento dessa natureza é do mais injusto.
Contratar um homem para o serviço de limpeza no domicílio ainda é algo ousado e arriscado para muita gente, da mesma forma, uma mulher que pilota um avião ainda é sinal de risco acrescido.
Um amigo que outro dia viajava num avião da TAP, após a comandante se ter anunciado como quem estava ao a pilotar a aeronave, ouviu atrás de si o desabafo de uma mulher (imagine-se):
- Estamos feitos. Com uma gaja é hoje que isto vai cair.
A solidariedade entre mulheres é um conjunto vazio apenas disfarçado por jantares no dia 8 de Março.
Um dia, uma amiga que entende tanto de futebol como eu entendo do processo de mutação da mitocôndria, teve o desplante de me perguntar o porquê do meu benfiquismo pois o “Glorioso” era o clube da ralé e das pessoas de mau porte. Tive de lhe perguntar então onde é que ela tinha ido comprar o título de marquesa pois eu não tinha dado por nada.
Os meus amigos do Bloco de Esquerda, esse partido das pessoas que apesar de nunca o afirmarem, jamais se enganam e estão por cima do bem e mal, andam por estes dias muito escandalizados porque um dissidente vai criar um novo partido á esquerda.
Mataram a liberdade de opinião, enterraram a democracia e dando a si próprios a posse da razão absoluta, chamam oportunista ao ex-companheiro.
Mas eles, por continuarem do Bloco continuam a ser democratas mesmo que as suas apreciações se assemelhem na essência às de António de Oliveira Salazar.
Mais exemplos vos poderia dar…
Os gays são perversos e os heterossexuais são todos sérios e bons chefes de família, os “solteirões” são todos tarados sexuais e as “solteironas” são umas frustradas deprimidas, todos os políticos e árbitros são corruptos, etc.
As pessoas não são todas iguais…
E o ser vale infinitamente mais do que o pertencer.
Cuidado com os julgamentos.

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