sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dublin por uma montra


Estou só numa mesa próxima da montra
Bebo um chá de jasmim
Quente
Muito quente
E assim…
Com o i-phone desligado por falta de bateria
Sem nada para ler
O que me resta?
Olhar a gente
Que mais poderia ser?

Passa um homem de bigode
Franzino mas espigadote
Que para beijar a loura que vai à sua frente
Só se fosse de escadote

E de repente…
Passam três senhoras carregadas de ouro
Que pelo tamanho comprido da saia
E pelo dossier tão antigo que levam consigo
Eu diria
Vêm da igreja e do ensaio do coro

Vejo um gordo que se abana a cada passo
Dois homens envolvidos num abraço
Uma rapariga de cabelo lilás
Que pelos sacos que traz
Esgotou a Zara

Uma velhota de cachecol
Que para sair a esta hora
Por certo o fez por pão mole
Quase é atropelada
Por um rapaz que corre nos passeios e na estrada
E que… suado
Com o cansaço que leva
Pode ir para qualquer lado
Mas não para muito longe

Do mesmo lado das do coro
Passa então um com ar de monge
Mesmo à frente de um casal que pára para se beijar

Vejo um executivo com phones nos ouvidos
Uns modernos… todos divertidos
E na esquina à minha frente
Há um grupo que se prepara para cantar

Resolvo então dizer à gente um “até já”
E regresso ao chá

Já está morno
Mas ainda peço um scone que entretanto vi sair do forno

Eu sei que estou a abusar
Mas começo a comer
É melhor
Não vá ainda alguém dizer que o barbudo não pára de olhar
Ali na montra

E ainda por cima a comer scones

Ele que até está como uma lontra…

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