sábado, 20 de setembro de 2014

Estas palavras que nos oferecem asas


Quando o silêncio se impõe a qualquer hora, pesa muito e faz com que me sinta só; confesso-vos que a esferográfica e um pedaço de papel são os meus melhores amigos.
Por palavras vou registando tudo aquilo que a mente vai ditando, e de repente, morreram os impossíveis, o silêncio também foi enterrado com eles... e eu estou muito para lá das quatro paredes onde fisicamente me encontro; com o privilégio de estar onde quero realmente estar.
E com quem quero estar.
Do meu quarto vejo um jardim com plátanos de folhas amarelecidas e avermelhadas, sinto o Outono, e leva-me a memória para os finais das tardes de Vila Viçosa, quando o aquecedor já se agradecia aceso por detrás do balcão da Livraria Escolar, servindo simultaneamente para assar bolotas e castanhas que nos aqueciam as mãos e a alma, esta então solta e empenhada em tantas histórias.
Acho que foi aí que aprendi a força das palavras e me fiz eternamente seu amigo, aprendendo a voar com elas muito para lá do óbvio, por mais que ele pareça um destino irreversível.
Há pouco apanhei uma folha vermelha de plátano que vi de repente aos meus pés no jardim do hotel, está aqui e faz-me companhia a mim e a quatro botões de rosa de cor vermelha que tenho sobre a secretária, enquanto escrevo que um dia passearei contigo cruzando de mão dada todos os Outonos que a vida nos der para fazermos nossos.
Só?
Definitivamente não estou, apesar de não haver mais ninguém aqui comigo.
Durante o nosso passeio pelo parque até já parámos os dois à beira de uma velha fonte de granito tingida de folhas da cor do Outono para um beijo e para que num abraço eu te sussurrasse ao ouvido que, claro, sou teu.
E sigo pelas palavras que assim me dão boleia para um sonho que sabe a mel… e a castanhas.

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