terça-feira, 16 de setembro de 2014

O mundo, esse T0 tão apertado


Começar o dia a comer um Bolo Finto torrado trazido na véspera de Vila Viçosa…
Tomar o café na pastelaria da D. Isabel, que é de Proença-a-Nova e conhece dezenas de pessoas que eu também conheço, aproveitando como sempre para falar do tempo, das viagens que a minha mala sempre denuncia, e das ocorrências transmitidas pelas notícias da TV…
Uma manhã de trabalho no escritório em Porto Salvo, em conjunto com os meus colegas, e almoçar com eles uma muito agradável e saudável “Pescada Cozida com Todos”…
Tomar um chá em Dublin depois de aterrar pelas seis da tarde e de ter descoberto no ar que a Air Lingus nem uma bolacha de água e sal nos serve a bordo. Vá lá que descobrimos na revista de bordo algumas palavras em Gaélico que são semelhantes ao Português. A revista chama-se “Cara” (amigo) e até narra a história de um bebé que nasceu a bordo há quarenta anos, que recebeu o nome de Patrick em homenagem ao santo dos Irlandeses… bebé que por acaso até é Português…
Jantar com o meu colega em Temple Bar com o empregado Brasileiro a descobrir que falávamos a mesma língua e a contar-nos que tem dupla nacionalidade porque a avó era de uma aldeia próxima de Castelo Branco, Louriçal do Campo, que por acaso até é a terra do meu amigo Celso. Acabamos a falar das cerejas, e como a história é recorrente, depois de a Tonicha em 1971 ter cantado em Dublin, na Eurovisão, a “Menina do Alto da Serra”, nós acabamos os três a falar da avó / menina Florinda e das suas aventuras no alto da serra… da Gardunha…
Regressar ao hotel, apanhar um mapa na recepção e ser interceptado por um funcionário do hotel que fala Português com sotaque do nosso e é de Viseu…
Sentar-me na reunião ao lado de um colega Francês que me pergunta se a minha agenda tem uma capa que reproduz um trabalho do Picasso. Eu explico-lhe que não e vou mostrando todas as gravuras que tem dentro e que são do nosso Almada Negreiros…
Esta sucessão de acontecimentos que envolvem gente de diferentes continentes, diferentes línguas e diferentes culturas, bem poderia ser chamada de “Uma aventura no T0 que é o mundo”.
Tudo porque quando nos fixamos naquilo que nos une, muito mais do que aquilo que nos separa, as distâncias encurtam e tudo parece bastante mais próximo; e até o mundo parece bem mais pequeno.
Como as estruturas mais pequenas e simples são teoricamente mais fáceis de gerir do que as outras, talvez este fosse um caminho para vermos tudo de forma diferente e podermos eliminar certas dificuldades que o mundo enfrenta.
Com boa vontade, que é algo que ajuda sempre nestas coisas.  

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