quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A laje de onde varremos as cinzas é a mesma que servirá de chão ao lume aceso que nos aquece


Gosto deste abraço que me oferece o teu cheiro, deste informal repouso do meu olhar sobre o teu ombro, a escuridão com que pinto o mundo para melhor espreitar o melhor de mim.
Ficaria assim a vida inteira...
Mas há um som agudo que me desperta, o prenúncio do movimento de um comboio, e eu entrego-te as mãos para caminhar contigo; estas mesmas mãos, tantas vezes mães do gesto de um adeus
As mãos são como um cais e um cais é como qualquer dia.
O mesmo espaço, uma indefinida sina, um destino solto e à mercê do tempo.
A partida?
A chegada?
A laje de onde varremos as cinzas é a mesma que servirá de chão ao lume aceso que nos aquece.
O cais de onde parte um amor é o mesmo aonde chega outro bem maior e mais feliz.
A laje, o cais… e os dias.
Até as lágrimas parecem coerentes e sempre iguais; sendo afinal tão diferentes como parágrafos líquidos e sem letras na expressão de estar triste ou ser feliz.
Hoje…
Entrego-te as minhas mãos para caminhar contigo enquanto lentamente passa por nós o comboio que me trouxe até aqui.
Depois dou-te um abraço e caminho junto a ti pelo cais e por entre a certeza de que cheguei e não querer partir jamais.
O comboio é a sorte, sinto-o claramente depois de acordar cheio de saudades tuas para um daqueles dias em que é tão fácil escrever sobre o amor.

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