quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

“Custe o que custar”


O Primeiro-ministro de Portugal afirmou ontem a propósito da morte de uma cidadã que não beneficiou de todas as opções de tratamento disponíveis para a patologia que a atingia, que “os Estados devem fazer tudo o que está ao seu alcance para salvar vidas humanas, mas não custe o que custar”.
Nós sabemos que os recursos disponíveis não são ilimitados, mas há prioridades; afinal de contas a vida de uma mulher ainda vale mais do que um outdoor das campanhas eleitorais que o Estado vai patrocinar muito em breve, e só para dar um exemplo.
Porque quando se trata da vida de alguém, é mesmo “custe o que custar”, digo eu.
Digo eu e esperaria eu que o dissessem os deputados dos partidos que apoiam esta maioria e que gritaram a defesa da vida sempre que o parlamento discutiu a interrupção voluntária da gravidez, por exemplo. Onde estão essas vozes?
Onde está o Professor João César das Neves e os movimentos que fazem vigílias à porta da Clínica dos Arcos nas Amoreiras?
Já alguém se manifestou em Massamá?
O que disse a Conferência Episcopal Portuguesa a propósito destas declarações?
Acaso a expressão de vida de um feto no seu contexto intra-uterino seja mais relevante do que a de uma mulher com cinquenta anos?
Ou será que encontrámos no desequilíbrio orçamental uma justificação para assumirmos e legalizarmos a eutanásia?
Onde está a coerência?
Será que ela é tão ténue que não consegue vencer os ícones imbecis do que se convencionou chamar esquerda ou direita no desenhar de um espectro politico onde o cidadão só conta para o financiamento e para uma cruz num boletim que dá acesso ao poder?
O respeito pela vida deve ser transversal a todas as suas dimensões e expressões; e os heróis, os que ficam com nome inscrito na História dos povos são os que se guiaram pelo “custe o que custar” que tantas vezes lhes “custou” a própria vida para que a dos outros pudesse emergir da dor da morte anunciada.
A vida deve ser o mote supremo no guião de quem comanda um Estado, e eu… não gosto e nem voto em quem pensa e diz o contrário.

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